O preço da carne subiu?: Encontre o culpado oculto.


Preste atenção no gráfico. Repare no que acontece com o rebanho bovino brasileiro depois de 2004, quando as taxas de desmatamento de florestas na Amazônia começaram a cair: o rebanho bovino brasileiro parou de crescer. Os ambientalistas nunca te disseram que esse seria um efeito da salvação da Amazônia, disseram?

Este blog sempre fez esse alerta. Veja no posto: Sobre a necessidade de desumanizar o homem ou no post Pecuária brasileira em extinção

Desde outubro, o brasileiro viu o preço da carne disparar. Vários fatores concorrem para elevar o preço da carne. O maior deles talvez seja a retomada gradual do crescimento econômico no Brasil. Nosso mercado interno consome quase 80% do que os pecuaristas são capazes de produzir. Quando voltam o emprego e a renda, as pessoas consomem mais carne e a tendência é que o preço suba.

Também pesa no preço da carne a demanda de outros países, principalmente da China. Cerca de 20% da carne produzida no Brasil é exportada. Os chineses estão enfrentando um problema grave com uma doença que dizimou seu rebanho de porcos. A Peste Suína Africana destruiu a gigantesca suinocultura chinesa e derrubou a oferta e proteína animal do mundo inteiro. A carne de porco é a principal proteína consumida na China. Sem ela, os chineses estão comprando carne no mundo inteiro e puxando os preços para cima.

Um terceiro fator que tem pressionado o preço da carne no varejo é a fase de baixa do ciclo pecuário. Nos últimos anos os pecuaristas vinham abatendo um número anormal de fêmeas como forma de fazer caixa e honrar seus compromissos. Esse abate de fêmeas reduziu a oferta de bezerros e, consequentemente, de novas vacar, de boi gordo e carne.

Juntos, o aumento da demanda no mercado interno, o crescimento da demanda do mercado externo e a fase de ciclo pecuário, estão causando o aumento anormal de preço que o consumidor está sentido no bolso. Mas os três fatores são conjunturais.

A economia brasileira deve continuar crescendo no próximos anos. Deve ser um crescimento lento, mas suficiente para continuar pressionando os preços da carne para cima. O buraco na oferta global de proteína causado pela Peste Suína Africana não vai ser tapado tão cedo por conta de seu gigantismo e também deve continuar pressionando os preços nos próximos anos. O ciclo pecuário vai se inverter naturalmente no devido tempo, mas nos próximos anos a oferta de carne também deve continuar restrita.

É por isso que todos os analistas dizem que os próximos anos serão de bons preços para o produtor, mas preços elevados para o consumidor.

Nenhum dos excelentes analistas que este blog acompanha, entretanto, fez referência à mudança no padrão de crescimento do rebanho bovino brasileiro ocorrida nos últimos anos.

Qualquer tipo de produção cresce de duas formas. Horizontalmente ou verticalmente.

Imagine o seguinte. Você tem uma fabrica de caixas de papalão que produz 1.000 caixas por dia. Mas você tem um cliente que quer comprar 1.100 caixas por dia. Você não vai construir uma fabrica nova para produzir 100 caixas a mais, correto? Você faz ajustes, contrata mais funcionários, compra equipamentos melhores, trabalha em três turnos, de maneira a produzir 100 caixas a mais com a mesma fábrica. Esse é o crescimento vertical.

Agora, imagine que apareça um cliente querendo comprar 3.000 caixas de papelão por dia. Você não tem como sair de 1.000 para 3.000 caixas com a mesma fábrica. Nesse casso, você constrói um nova fabrica ou amplia sua própria fábrica. Esse é o crescimento horizontal.

Desde de 1614, quando os primeiros bois chegaram ao Brasil, nosso rebanho bovino cresce das duas maneiras, tanto horizontalmente, quanto verticalmente. Em alguns momentos o peso maior é do crescimento horizontal, mas em outros chega um Zebu, uma braquiária e o peso do crescimento vertical de altera. Isso começou a mudar nos anos 70 e mudou de vez em 2004. Veja o gráfico a seguir:
Dados de rebanho bovino são da Pesquisa Pecuária Municipal, do IBGE, e de desmamento são do PRODES do INPE
Ele mostra o crescimento do rebanho bovino brasileiro e o desmatamento de florestas na Amazônia. Repare no que acontece a partir de 2004, quando o desmatamento de florestas na Amazônia cai drasticamente. O rebanho bovino pára de crescer.

A fronteira fechou. Acabou o crescimento horizontal da pecuária brasileira. Não existirão novas fábricas. Nunca mais.

Desde a chegada dos portugueses no Brasil, o desmatamento, primeiro na Mata Atlântica, depois na Caatinga e no Cerrado e finalmente na Amazônia, tamponou o preço da carne no varejo. Pela primeira vez em seus cinco séculos de história, nossa pecuária agora só pode crescer horizontalmente através de ganhos de produtividade e isso tem implicações.

Uma delas é a velocidade do aumento de produção. Crescimento vertical é mais difícil e caro do que o crescimento horizontal. Portanto, elevar a produção de carne por incrementos de produtividade é mais oneroso e lento que abrir novas fazendas. Ou seja, vai demorar até que a oferta de carne cresça com a estagnação do rebanho nacional mostrada no gráfico.

Aqui entra um fator agravante. A rentabilidade da agricultura nas últimas décadas tem retirado terra da pecuária. Por um lado a pecuária não tem mais como crescer por conta do fechamento da fronteira e, por outro, a área de pecuária vem encolhendo por conta do avanço da agricultura.

Muitas coisas influenciam nessa relação. Por exemplo, existem interações importantes entre agricultura e pecuária que podem acelerar o crescimento vertical da produção de carne. Por outro lado, o avanço da agricultura tem deixado a pecuária om as piores áreas o que dificulta incrementes de produtividade. Mas o objetivo deste post não é exaurir o assunto.

Meu objetivo aqui, como sempre, é expor o lado negro e oculto dos ecojihadistas do ambientalismo de ½ ambiente. Eles nunca disseram a você que a salvação da Amazônia pesaria no seu bolso, disseram?

Eles nunca disseram porque são um bando de cretinos. Porque o luta deles é por ½ ambiente, não pelo ambiente inteiro, aquele que inclui você e seu bolso.

Bom domingo e boa semana.

Imagem de Wilson Dias/Agência Brasil

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