Vamos conversar sobre a independência da Amazônia?

Leia o texto antes de formar sua opinião e veja o vídeo para entender a imagem

Quem conhece este blog e este blogger saber que somos nacionalistas. Por anos o toque do meu celular foi o Hino Nacional Brasileiro. Fiz questão de usar o arquivo disponibilizado na página oficial do Palácio do Planalto.

Ao contrário da maioria das pessoas desse nosso tempo de redes sociais, não faço análises aistóricas. Conheço um pouco da história do Brasil e de alguns daqueles criaram as bases da nossa formação territorial, social e econômica.

Em particular, conheço relativamente bem a história da Amazônia e de seu povo. Sobretudo a história recente da qual eu mesmo fiz parte.

São as convicções formadas nos últimos anos que me fazem pensar que talvez não haja outra solução para o povo da Amazônia que não seja se tornar um estado independente do Brasil.

Sei que o estado brasileiro guarda em sua Constituição Federal cláusulas que asseguram sua indissolubilidade. E há na legislação infralegal itens que tratam como crime o ato revolucionário contra a União nacional.


Mas sei também, por outro lado, que o ordenamento jurídico brasileiro também garante a defesa da autodeterminação dos povos. Além disso, o Artigo 5º da Constituição assegura os direitos de livre expressão, de livre associação e de livre reunião para fins pacíficos.

Não estou aqui sugerindo um movimento revolucionário. A intenção aqui é apenas e tão somente que as pessoas, da Amazônia, mas principalmente do Brasil, pensem sobre o que está sendo feito na região norte.

A maioria dos brasileiros não sabe, mas a Amazônia já foi independente do Brasil. Nos primeiros anos da ocupação portuguesa do território que hoje pertence ao Brasil, a comunicação e os atos da Coroa Portuguesa eram feitos diretamente entre Belém e Lisboa, sem passar por Salvador ou pelo Rio de Janeiro.

Até a independência do Brasil de Portugal, em 7 de setembro de 1822, a Amazônia era conhecida como Província do Grão Pará e Maranhão e tinha mais relações com Portugal do que com o Rio de Janeiro. Em geral, o povo da Amazônia preferia manter-se ligada à Portugal, mas foi forçado pelo Brasil a aderir à União.

O Maranhão só aderiu ao Brasil em 28 de julho de 1823, um ano depois da independência do país, forçado por tropas do Império brasileiro que cercaram São Luis por terra e mar.

Dom Pedro então enviou as tropas ao Pará, que abrangia Amazonas, Amapá, Roraima e Rondônia, com a intenção de forçar a adesão da província ao Brasil encerrando os laços com Portugal. No dia em 11 de agosto de 1823, o almirante John Grenfell desembarcou em Belém afirmando que havia uma esquadra brasileira em Salinas, pronta para bloquear o acesso ao porto da capital, isolando a Amazônia do resto do Brasil, caso não optasse pela adesão.

Os governantes locais entregaram a Amazônia ao Brasil, contra a vontade da população local. O sentimento de identidade do povo produziu diversas pequenas insurreições, que culminaram com a revolta da Cabanagem, em 1835.

Os cabanos, amazônidas, índios, negros e mestiços, na maioria e integrantes da classe média local, sob a liderança do Padre Batista Campos, Antônio Vinagre e seus irmãos Manoel e Chico Pedro, o seringueiro Eduardo Angelim e o fazendeiro Clemente Malcher chegaram a tomar o controle do estado e declarar a independência do Brasil.


O Brasil enviou então uma esquadra para debelar o movimento e restabelecer o controle brasileiro sobre a Amazônia. A Inglaterra ofereceu apoio ao amazônidas contra o Brasil, mas os cabanos recusaram a esquadra inglesa. Em 1840 o Brasil já havia restabelecido o controle militar e político sobre a região depois da destruição do movimento cabano.

Portanto, o sentimento de identidade local do povo da Amazônia não é nenhuma novidade.

Esmaecido, esse sentimento ainda ainda moureja na região. Durante as pesquisas que fiz para a composição desse post, descobri que já existe um movimento pela independência da região: https://amazoniaindependente.wordpress.com/

Desde o fim da revolução Cabana a relação do Brasil com a Amazônia teve uma séria vontade dos governantes brasileiros de integrar a região ao resto do país. Levas de imigrantes nordestinos foram instadas à região como mão de obra nos seringais. Grandes cidades como Manaus, Santarém e Belém chegaram a vicejar.

Durante os governos militares houve um esforço hercúleo para integrar a região ao Brasil ocupando e estabelecendo linhas de defesa e suprimento na região. Os militares construíram quatro grandes eixo rodoviários ligando Cuiabá a Porto Velho, no oeste, a Santarém, no centro, e ligando Brasília a Belém, no leste.

O quatro grande eixo ligou as linhas de suprimento ao que deveria ser a segunda linha de defesa da região, a Transamazônica, que ligou Belém, no leste a Porto Velho, no Oeste. A primeira grande linha de defesa seria uma rodovia que ligaria Rio Branco, no Acre, a Macapá, no Amapá, mas o chamado Projeto Calha Norte nunca chegou a ser implantado.

Aos trancos e solavancos, a relação do Brasil com a Amazônia caminhava relativamente bem. A região era ocupada por brasileiros enquanto o estado tentava integrar a região social e economicamente ao resto do país. Mas chegaram os ambientalistas.

Nos anos oitenta, junto com o processo de redemocratização, vieram para o Brasil um grupo de profissionais estrangeiros com o discurso da salvação do planeta. Um grupo que não se importa com a sujeira do Rio Tietê, nem com a imundice da baia de Guanabara, nem com a falta de saneamento básico, nem com a pobreza. Um grupo que não se importa com a deposição de lixo a céu aberto, nem com o descaso com as Unidades de Conservação, mas se ocupa diuturnamente em proteger a Amazônia dos amazônidas.

O arremedo de economia criada na Amazônia no processo de ocupação e integração com o Brasil é dependente do desmatamento. O espírito do tempo na época assim exigia.

Mas o movimento ambientalista vem de um outro espírito do tempo segundo o qual o desmatamento de florestas na Amazônia é inaceitável. Até aí tudo bem. O mundo muda e nós, as pessoas, mudamos junto.

Ocorre que o movimento ambientalista é profundamente canalha. Fosse feito por gente séria, o ambientalismo se ocuparia de substituir a economia predatória posta pelo Brasil na Amazônia ao longo da história por outra economia sustentável.

Como os ambientalistas não sabem como fazer essa transição, eles simplesmente se ocupam de asfixiar a economia velha. Ao fazê-lo, os ambientalistas acabam com os empregos, as expectativas de vida e o futuro dos amazônidas.

Os ambientalistas de vestiram com uma espécie de manto de absolutismo moral que os autoriza a cometer toda sorte de violência e desumaindades em nome da proteção do meio ambiente. É o crime perfeito, o crime justificado por um arranjo filosófico.


Infiltrados nos órgãos do Governo, o ambientalismo deixou de ser apenas NÃO governamental e passou a dirigir políticas públicas. Na Amazônia tudo é proibido. Estradas, obras, investimentos, indústria, siderurgia, portos, asfalto, nada pode ser implantando na região por conta de seus efeitos no desmatamento.


Há cidades na Amazônia como Novo Progresso que não recebem apoio do Brasil em áreas como saúde, educação e segurança, mas os órgãos de fiscalização ambiental dispõem de gente, viaturas novas e helicópteros. Grande parte desse aparato é financiado por recursos internacionais "doados" ao Brasil para proteger a floresta amazônica do povo da Amazônia.

O Brasil construiu ferrovias que bombeiam o minério da região para a China e Lei Kandir, que desonerou as exportações de produtos primários do ICMS, impede que os estados da região tenham receita. A promessa de compensação do Governo federal aos estados exportadores nunca aconteceu. Nesses mais de vinte anos de vigência da lei, o Pará deixou de arrecadar R$ 34,3 bilhões em ICMS.

Em 2013 o Governo do Pará entrou no Supremo Tribunal Federal exigindo que a União compense os estados exportadores pelas perdas da Lei Kandir. O STF julgou a ação procedente, mas deu prazo para que o Congresso Nacional estabeleça os termos dessa compensação. Nada aconteceu até agora.

O Brasil constrói hidroelétricas na Amazônia, mas linhões levam a energia produzida na região para o parque industrial que gera empregos em São Paulo enquanto Roraima consome energia importada da Venezuela. Roraima é o único estado do Brasil que não é ligado ao sistema nacional de energia.

A Amazônia concentra a maioria dos Unidades de Conservação e das Terras Indígenas, embora a segunda maior população indígena do Brasil continue sem terras demarcadas no Mato Grosso do Sul.

Assim como o mundo, o Brasil está preocupado apenas com a floresta da Amazônia. Nesse cenário, o povo da Amazônia passou a ser um problema para o Brasil.

Se o Brasil não se importa com o povo da Amazônia, o povo da Amazônia não deveria se importar com o Brasil. Na minha opinião, se o Brasil não repensar sua relação com os brasileiros amazônidas, o povo da Amazônia deveria começar a pensar em se desligar do Brasil.

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