sábado, 4 de março de 2017

A Ferrogrão e a estupidez dos ambientalistas de ½ ambiente

Quando fiz mestrado no início dos anos 2000 o movimento ambientalista estava preocupado com o asfaltamento da BR-163 que liga o cerrado do Mato Grosso ao rio Amazonas. O setor produtivo queria alcançar o porto de Santarém para exportar soja pelo norte encurtando a distância até os mercados consumidores e fugindo dos congestionados portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR). Já as ONGs, como de hábito, eram contra. Os ecólatras queriam barrar o desenvolvimento da soja em Mato Grosso.

O Greenpeace concentrava esforço em inviabilizar o porto que a Cargil construiu em Santarém. Trouxe um de seus navios e fez grandes campanhas internacionais contra a Cargil e seu porto no Amazonas. Enquanto isso, outras ONGs alegavam que o asfaltamento da rodovia levaria o desmatamento ao coração da Amazônia.

Pressionados, o ex presidente Lula e sua Ministra do ½ ambiente, Marina Silva, criaram o Plano BR-163 sustentável. O plano consistia em criar várias unidades de conservação de uso sustentável para evitar o desmatamento e incentivar a economia local por meio da exploração de madeira em planos de manejo florestal.

Era uma contrapartida ambiental à autorização para o asfaltamento da rodovia. Marina cuidou bem da primeira parte. Criou um grande mosaico de unidades de conservação na região que até hoje causa problema à população local (O golpe da Medida Provisória nº 756). Mas o governo esqueceu completamente a parte do incentivo à economia sustentável, como sempre.

Matar a economia é sempre uma forma eficaz de proteger o meio ambiente.

Mas no meio daquela guerra toda, em 2002, durante o curso de mestrado que fiz em economia ambiental, eu levantei em sala de aula a questão da substituição do asfaltamento da rodovia pela construção de uma ferrovia. Na minha cabeça pragmática, era meio obvio: o Brasil queria retirar a soja do Mato Grosso pelo norte e as ONGs queriam proteger a floresta amazônica.

Ao contrário da rodovia, cujo impacto ambiental é distribuído ao longo do seu eixo, a ferrovia concentra o impacto nas suas duas pontas. A ferrovia resolveria o problema da soja de Mato Grosso sem o desmatamento da floresta do Pará.

Apanhei igual boi ladrão. No primeiro momento, os ambientalistas que estudavam comigo me olharam com cara de espanto. Em seguida, me acusaram de ser um ruralistas desmatador e encerraram o assunto.

Na verdade o desmatamento no Pará era só um pretexto para evitar o desenvolvimento no norte de Mato Grosso. Por isso as ONGs não aceitavam nem o asfaltamento da rodovia, nem a construção de uma ferrovia.

Pois bem. Em 2006 saiu a licença ambiental para o asfaltamento da BR-163, trabalho que deve ser concluído no ano que vem, 12 anos depois. E hoje, 04 de março de 2017, o jornal o Estado de São Paulo, informa que o governo anunciará, na próxima terça-feira, a data em que será leiloada a concessão da Estrada de Ferro 170.

EF-170 é o nome técnico da Ferrogrão, uma ferrovia que correrá paralela à BR-163, no trecho entre Sinop, na região produtora de grãos do Mato Grosso, e o porto fluvial de Miritituba, no Pará. O porto de Santarém foi inviabilizado pelas ações do Greenpeace.

“É a solução definitiva”, disse ao Estadão o presidente da estruturadora Estação da Luz Participações (EDLP), Guilherme Quintella. Ele foi responsável pelos estudos técnicos que servirão de base para a elaboração do edital do leilão. “A Ferrogrão consolida, de forma definitiva, a competitividade da produção do Mato Grosso”, disse o consultor.

O ambientalismo irresponsável, esse mesmo que está de volta ao Ministro do ½ ambiente, que é contra tudo, acabou levando o asfaltamento da rodovia e a ferrovia.

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