"Não é uma história inventada, é real", diz carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense

Em entrevista ao programa Mercado & Companhia, do Canal Rural, o carnavalesco da escola de samba Imperatriz Leopoldinense afirmou que o comportamento do agronegócio em relação aos índios não foi inventado pela escola. "Faz parte da história do Brasil, não foi a Imperatriz que inventou", disse Cahê Rodrigues à jornalista Kellen Severo. O samba-enredo da Imperatriz para o Carnaval 2017 faz alusões pejorativas ao agro ao tentar enaltecer os índios do Xingu.

À produção da TV Integração, uma afiliada da Rede Globo, o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Cahê Rodrigues, disse por telefone que a proposta da escola não é agredir nenhum setor específico, mas criticar "pessoas que acumulam dinheiro e desrespeitam o direito do próximo, seja de qual setor ou segmento econômico forem". Ele ressaltou que preza pela liberdade de expressão.

Rodrigues tergiversou afirmando que há bons e maus produtores rurais e que a intensão do enredo foi criticar apenas os maus. Mas não há nada no samba que remarque essa diferença. Uma das alas que a escola levará à Sapucaí trará produtores rurais de chapéu e caveira no peito carregando um pulverizador. A ala se chamará "fazendeiro e seus agrotóxicos".

A sinopse que deu origem ao enredo e à ala dos fazendeiros explica: "Caraíba não mede consequências. Acredita na sua ciência, buscando o que chama de progresso. Derruba floresta, espalha veneno e acha o mundo pequeno para semear tanta arrogância. Invade nossas terras, liga a motosserra e no lugar dos troncos sagrados, planta ganância.

Segundo Cahê Rodrigues, responsável pelo enredo, a indiferença dos agricultores com os índios, matas e rios faz parte da história do Brasil, não foi a Imperatriz que inventou (veja e ouça aqui). "Nossa intenção nunca foi agredir o agronegócio. Sabemos o quanto ele é importante e não estamos generalizando", disse ele à Folha de São Paulo.

Na minha opinião, Cahé Rodrigues está mentindo. Essa conversa de não estar generalizando surgiu depois da pressão que ele vem recebendo do agro com a repercussão negativa do samba-enredo. O samba generaliza e reforça os estereótipos negativos e falsos do setor rural.

Pressionada pela jornalista Kellen Severo a informar quem financiou a escola de samba, Cahê disse que a escola não está recebendo dinheiro de ninguém além da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA). A Liesa rateia entre as escolas parte do dinheiro que fatura com a Carnaval.

Ocorre que nos últimos anos as escolas estão vendendo o enredo do samba a quem puder pagar sem qualquer restrição ética. A venda do enredo normalmente complementa o valor repassado pela Liesa. A Beija-Flor foi campeã em 2015 com um enredo financiado com dinheiro fornecido pelo governo do ditador sanguinário Teodoro Mbasogo, há 35 governando a Guiné Equatorial com mãos de ferro.

Na época, a revista Veja noticiou que "o patrocínio por uma ditadura representa uma variação de outras formas condenáveis de custeamento da festa carnavalesca nos barracões das escolas de samba. Dinheiro ilícito do tráfico de drogas e do jogo do bicho também já se transformou em fantasias e carros alegóricos."

Eu ponho minha mão cheia de gelo num fogo apagado pela afirmação de Cahê Rodrigues de que o enredo da Imperatriz só tem dinheiro da Liesa. Não há lei contra isso. As escolas não são obrigadas a prestar contas, nem de quem financia seus barracões, nem como gastão os recursos que recebem.

Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Comentários

Régis disse…
Espera lá! A cidade do Rio de Janeiro também foi edificada onde também viviam índios.
Disso não vão falar nada?
sem o agro negocio o brasileiro estaria PASSANdo fome inclusive os indios alem de ser o unico setor que esta salvando o pAIS pela exportacoes e muito facil criticar tomando uma ceverjinha e comendo um salgadinho ,quero ver produzir voces produzir alimentos.
Fazem as coisas depois ficam tergiversando. Eles são contra o agro sim. E agora também assumiram que são mentirosos e covardes.
Carlos disse…
O Agricultor Brasileiro, usando somente 9% do território nacional, produz alimentos para mais de um bilhão de pessoas lutando contra o clima, os abusos do governo, as invasões e as mentiras dos pseudo ambientalistas. Vem aí mais um idiota útil torrando dinheiro dos impostos sem produzir nada a não ser mentiras. Vai comer isopor e purpurina, ser inútil e daninho!!!
Ficar aqui discursando nao vai nos levar a nada!!! Patir p o contra ataque...As entidades tem q promover protesto no dia e no desfile dessa escola, e outras açoes concretas.