Plano da esquerda radical para acabar com agronegócio brasileiro continua em andamento

Lula e Armando Guebuza, ex presidente de Moçambique, em encontro no Palácio do Planalto em 2009. Foto: Roosevelt Pinheiro/Agência Brasil
Se você acha que o plano da esquerda radical para fazer a reforma agrária morreu ou restringiu-se a financiar invasões de propriedade com recursos públicos, você está enganado. O grande plano da esquerda para distribuir terras no Brasil é acabar com o agronegócio nacional e está em pleno andamento na África. Nos próximos parágrafos você será apresentado ao Projeto Corredor da Nacala.

O Corredor de Nacala é um esquema logístico baseado numa ferrovia de quase mil quilômetros que desemboca no porto de Nacala, no leste da África, nas portas dos mercados de commodities agrícolas da China e do oriente médio.

A ferrovia estava sub utilizada e sucateada até que Vale, que tem forte participação do BNDES e da trading de commodities japonesa Mitsui, iniciou um projeto de exploração de carvão mineral em Moatize, no interior de Moçambique. Para escoar o carvão, a Vale teve que reconstruir a ferrovia ligando Moatize ao porto de Nacala, revitalizando o chamado Corredor de Nacala.

Nada demais até aí. Só mais um investimento de uma gigante da mineração mundial.

Ocorre que o corredor de Nacala corta boa parte da região de cerrado da leste africano. Área muito parecida com o nosso cerrado do centro-oeste.

Em 2012, Brasil, Moçambique e Japão (lembra da Mitsui?) assinaram um acordo de cooperação técnica. O chamado Programa Prosavana é financiado pelos governos do Brasil e do Japão para desenvolver a agricultura comercial no norte de Moçambique. A Agência Brasileira de Cooperação lidera o projeto pelo lado brasileiro, e a fase de planejamento foi operacionalizada, em seu componente técnico, pelo Centro de Agronegócio da Fundaçaõ Getúlio Vargas (FGV).

Assinatura do acordo de cooperação técnica entre Brasil e Moçambique em 2012 para desenvolvimento da agricultura no corredor de Nacala. Ao centro o então Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, e o então Presidente da Embrapa, Pedro Arraes. 
Por força desse projeto, a Embrapa está trabalhando forte na adaptação das nossas cultivares de soja e milho ao cerrado africano. Muito em breve o mercado chinês de commodities agrícolas será atendido pela África com a tecnologia dada por nós e a logística parcialmente financiada pelo BNDES através da Vale.

Estudo da Embrapa de 2010 sobre o potencial socioambiental e agrícola do Corredor de Nacala. Veja AQUI a íntegra do estudo.

Se você acha que acaba aí, não se engane.

Semana passada a Vale informou aos seus investidores que está repassando parte do controle do Corredor Logístico de Nacala à Mitsui. Lembra da Mitsui, a trading de commodities japonesa? Pois é. Pelo acordo a Mistui pagará US$ 255 milhões por 15% da fatia de 95% que a Vale tem na mina de carvão de Moatize e mais US$ 348 milhões por 50% dos 70% de participação que a mineradora tem no corredor logístico de Nacala.

Apresentação da Vale sobre o Projeto Nacala disponível na internet
Quem é mais perspicaz já entendeu o plano. A esquerda está usando recursos dos impostos que nós pagamos e a tecnologia da Embrapa para criar um concorrente nosso na África, muito mais perto dos grandes mercados consumidores do que nós. Quando a soja e o milho do cerrado africano derrubarem a competitividade das nossas commodities, o caminho estaria aberto para a tal reforma agrária aqui no Brasil.

A distância entre o mercado asiático e o porto de Nacala é mais ou menos a metade da distância entre a Ásia e os portos brasileiros
Diga-se de passagem que a invenção do agronegócio africano não enche os olhos apenas da esquerda radical brasileira. A indústria de máquinas e insumos agrícolas de alta tecnologia (sementes e agroquímicos) também gostaria de ver um novo mercado se abrindo na África. Quem tende a se ferrar com a concorrência africana são os produtores rurais brasileiros, que estão deitados no berço esplendido de seus campos agrícolas.

Este minúsculo blogueiro está assistindo esse esquema geopolítico-econômico há quatro anos, mas só agora pode falar abertamente sobre ele.

No ano passado o atual Presidente Embrapa, Maurício Lopes, esteve na comissão de agricultura do Senado Federal. Atendendo a um pedido meu, uma telespectadora perguntou a ele se havia alguma avaliação da Embrapa sobre o que aconteceria com o agro brasileiro quando a África virasse um grande player no mercado de commodities agrícolas.

O Presidente da Embrapa desconversou. "Uma revolução agrícola ocorrerá na África inevitavelmente e é melhor sermos partícipes dela do que ficarmos de fora", disse Lopes. Acho que tenho essa peroração gravada em vídeo. Publicá-lo-ei, quando o encontrar.

Por fora o argumento de Maurício Lopes não é ruim. Mas por dentro é uma tergiversação. Uma coisa é haver uma revolução agrícola na África, outra coisa muito diferente é o Brasil catalizar essa revolução com dinheiro do contribuinte, a nossa tecnologia embrapiana e entregando o controle do corredor logístico ao Japão.

A audiência pública no Senado foi deprimente. Minha intenção ao plantar a pergunta forçando o Presidente da Embrapa a falar sobre o Corredor de Nacala na comissão de agricultura do Senado Federal era alertar os Senadores para o descalabro que o PT estava fazendo.

Mas o resultado foi diferente. O Senador Valdir Raup, seguindo pela Senadora Ana Amélia, chegaram a dizer que o Brasil merecia um Prêmio Nobel por ensinar agricultura os africanos.

O raciocínio é mais raso do que um pirex. O Brasil mereceria um Prêmio Nobel se estivesse ensinando os africanos a plantar aipim, jerimum e feijão de corda. Mas o que estamos fazendo na África é ensinando os africanos a implantar um sistema de exportação de commodities agrícolas concorrente do nosso, além de financiar a logística entre a África e China entregando o controle da ferrovia ao Japão.

Enquanto o produtor rural brasileiro dorme de touca e nossos políticos admiram, o Prosavana e o project finance do Corredor de Nacala continuam a todo vapor. Na minha opinião é semente do fim do agronegócio brasileiro.

Vejam bem. A entrada da África como player no mercado mundial de commodities agrícolas do lado da oferta pode não ser um mal em si. Espera-se que haja demanda para todos os grandes players, mas isso é apenas uma especulação. Ninguém sabe, não há um único estudo sério, sobre quais serão as consequências para o Brasil se a África virar nosso concorrente.

Tem muita sombra nessa negócio e é preciso jogar luz sobre ele.

A boa notícia é que o atual Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que controla a Embrapa, conhece bem o esquema e é cético em relação a ele. Cético, eu disse. Isso não quer dizer que ele seja contra. É apenas cético. O que já é alguma coisa nesse deserto de consciência que vivemos no agro.

Aliás, em tempos de Lava Jato, o aeroporto internacional de Nacala foi construído pela Odebrecht e financiado pelo BNDES. Custou U$ 112 milhões.

Veja o vídeo publicado na fanpage do Facebook em 03 de outubro às 12:40 hs:

Comentários

Rodrigo Romao disse…
O STF tem que Por um fim na questão do código florestal e votar a favor da CONSTITUCIONALIDADE Do NoVo Código e trazer a segurança jurídica
Felipe Romero disse…
Infelizmente, como diria Joelmir Betting: "A autoridade brasileira atira na codorna e acerta no cachorro."