A pecuária brasileira a caminho da extinção

O boi vai subir no telhado. Até 2014 cerca de 14 milhões de hectares de pasto desapareceram da face da terra. “Você tem praticamente toda a soja expandindo sobre as áreas de pasto, particularmente nos estados da região sul do Cerrado, que envolve São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, e um pedacinho também do Paraná”, afirma Bernardo Rudorff, sócio-diretor da Agrosatélite. Segundo ele, nessa zona, a soja engoliu 6 milhões de hectares. “Você tem essa expansão concentrada em cima de pastagem”, afirma Rudorff.

E não é apenas a soja. Segundo especialistas, a agricultura como um todo está avançando sobre o pasto. André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult, diz que a grande contribuição para a expansão de área agrícola no país vem do pasto. “Quase que 100% hoje das áreas de expansão fora do Matopiba vem do pasto. E mesmo no Matopiba, mais da metade da área que vem crescendo nos últimos anos também é sobre pastagem. Então, agricultura hoje no Brasil praticamente não realiza mais desmatamentos expressivos”, analisa Pessoa.

O aumento das áreas de soja ou milho sobre o pasto deve ser definitivo. De acordo com os analistas, os ganhos de produtividade na pecuária não acompanham os ganhos de produtividade da agricultura. Dessa forma, de maneira geral, uma vez que uma fazenda de pecuária passa a ser utilizada para agricultura o boi não voltará mais a berras sobre ela.

De acordo com André Pessoa, da Agroconsult, dos cerca de 1,7 milhão de pecuaristas mapeados pelo Censo Agropecuário de 2006, 1,4 milhão operam com baixos níveis tecnológicos e muitos deles trabalham no vermelho o que limita sua capacidade de investimento. O mais provável é que esses deem lugar às novas e rentáveis lavouras, como a soja. “Haverá exclusão de muitos produtores. Socialmente, será uma tragédia”, alerta Pessoa.

Em tempo, este blog está pensando em fundar uma ONG de proteção dos direitos do pecuarista. Agora que nós vamos virar minoria ameaçada e perseguida, talvez alguém se interesse por nós. Vou ali comer um bife e pensar nisso enquanto ainda posso.

Veja também o post que publiquei depois da polêmica causada por este:

Comentários

Paulo Andreazza disse…
Gostei muito e apoio fundar uma ONG de proteção dos direitos do pecuarista, pois sou um também. E nós no sudoeste do RS, enfrentamos muito o ABIGEATO.
Charlão disse…
Nossos governantes tem que rever as leis ambientais, não precisa liberar geral, mas tem que achar um meio termo, se continuar no cabresto desses falsos ambientalistas, estares pré destinados ao colapso do Agro negócio, que e a base da economia no Brasil !
Tiago disse…
Acho que de maneira geral o mundo demanda ração... com 1 hectares consegue criar três vezes mais animais na ração... o que está acontecendo é que os pecuáristas estão aumentando os seus riscos e plantando... ou fazendo o sistema integrado que traz muito rendimento...no Brasil ninguém é obrigado a sair de suas terras a não ser que seja expulso por demarcações indígenas... então se o pecuarista VENDE sua propriedade se quiser... e esse papinho de Ong é coisa de PT para jogar uns contra outros e ja acabou... pecuáristas e agricultores são a mesma classe e o dever dos dois é produzir alimentos
Juca Guimaraes disse…
Não vai acabar nunca, pois a carne é alimento essencial para as pessoas. O que irá acontecer sim, é a mudança na forma de produzir, fato que já vem ocorrendo. Cada dia mais a intensificação da produção de carne / hectare ocorrerá, passando de 1 UA/hectare, para 7, 10, 15, 20 ou mais UA /hectare..... É esperar para ver!!!