Agro é tech, agro é pop, mas não sabe se comunicar

A Rede Globo de televisão iniciou uma campanha que tenta mostrar a importância do agronegócio para o país. De acordo com o publicitário José Luiz Tejon, será uma campanha longa cobrindo as principais cadeias produtivas. Mas na minha opinião vamos dar com os burros n'água, novamente.

Não é a primeira vez que tentamos nos comunicar com o brasileiro urbano de forma errada. Quem aí lembra da campanha Sou Agro e do Time Agro Brasil? Duas campanhas que gastaram verdadeiras fortunas e não conseguiram sequer arranhar o objetivo principal. Infelizmente não acredito que dessa vez será diferente.

Fiz alguns bons amigos quando cheguei em Brasília. Um desses amigos, na verdade uma amiga, jornalista, de capacidade intelectual e perspicácia incomuns, me ensinou que comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende a partir daquilo que você diz.

Comunicação não é um ato unilateral. É preciso levar o ouvinte em consideração. Não basta dizer. É preciso dizer, mas de uma maneira que leve o ouvinte a entender da forma que convém ao emissor da informação.

Até onde vi a campanha da Globo está vomitando números positivos sobre o agronegócio. Isso não adianta absolutamente nada.

Por várias razões o brasileiro urbano tem a mente blindada às qualidades do agro. A sociedade urbana enxerga o agro como sendo feito por um grupo de pessoas prepotentes, conservadoras, ricas e violentas. Somos visto a partir de esterótipos do passado como os oligarcas exportadores de commodities desenhados por Caio Prado Junior, Sergio Buarque de Holanda e Celso Furtado.

Quando você é visto como alguém rico e prepotente e faz uma campanha dizendo que emprega milhares, produz milhões e exporta bilhões, o que as pessoas vão entender a partir do que você está dizendo é que elas têm razão sobre você, que você é um oligarca rico e prepotente. O efeito de uma campanha de marketing que derrame números positivos sobre a sociedade pode ser o oposto do que se imagina.

O que a campanha diz são números de empregos gerados, renda, produção, etc., mas o que a sociedade entenderá disso é que ela tem razão em relação a nós. A campanha da Globo pode agravar o problema na tentativa de saná-lo.

Não sei quem são os responsáveis pela campanha da Globo, mas na minha modesta opinião eles estão errados.

Eu acho que já passa da hora de fazermos um trabalho de comunicação sério e bem feito que melhore nossa relação com o brasileiro urbano. Não adianta fazer qualquer coisa. Os fracassos das campanhas Sou Agro e Time Agro Brasil estão aí como evidência.

Precisamos fazer da maneira correta. Talvez possamos conseguir chegar a esse objetivo gastando muito menos.

Acho que o momento nunca foi tão propício como agora. Não creio que seja trabalho para uma instituição, ou um elo de qualquer das cadeias produtivas do agronegócio. Penso que deve ser um trabalho conjunto, sem donos para evitar as vaidades. Mas seja como for, precisará ser feito da maneira correta.

Comentários

Perfeito e oportuno seu comentário.
Ivana Lima disse…
achei esta campanha maravilhosa, sempre pensei que ela era necessária, mas faltou ela vir para as redes sociais para decolar.
Fernando Barros disse…
Gostaria de entrar em contato com o autor, mas o artigo não está assinado nem consigo localizá-lo no site. Vocês sabem?

Ajuricaba disse…
Entra na fanpage na página no Facebook e deixa uma mensagem: https://www.facebook.com/C%C3%B3digo-Florestal-223620004387033/
Marcelo Banger disse…
Gostaria muito de assistir o vídeo mas nāo achei a versāo oficial
Ajuricaba disse…
Ta linkado na postagem: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Videos/noticia/2016/06/na-tv-jornal-nacional-destaca-importancia-do-agro-para-economia.html
Allan Duarte disse…
"A sociedade urbana enxerga o agro como sendo feito por um grupo de pessoas prepotentes, conservadoras, ricas e violentas."

Nunca ouvi tamanha besteira, o problema não é estereótipo desse tipo o problema é que um país dependente de commodities vendendo matéria prima barata para fora só é prejudicial para a própria população, é da opinião popular que grandes agricultores vão vender para fora porque com o Dólar o Euro o lucro é maior é para nós sobra o excedente de baixa qualidade quando muito e é por isso que os preços sobem e é justamente pro isso que se defende os pequenos agricultores que em suma vendem internamente seus produtos sem exportar.

O que a globo esta fazendo é defendendo os grandes, tentando colocar na cabeça da população que agro negócio é favorável mas é o mesmo que se manter no tempo dos cafezais trabalhando como escravo para os outros países engordarem, nós temos mesmo é que pensar na indústria interna e não em plantio de milho em larga escala pra fazerem cereal pra americano.

Pode vocês terem mais conhecimento do que eu sobre o assunto porém em quase toda entrevista que vejo é colocado que um país como o Brasil que não fortalece sua economia sua indústria internamente e fica dependente de commodities para se sustentar é um país vulnerável aos problemas de fora e esse é o Brasil.
Unknown disse…
Alguém sabe qual é o nome da música da propaganda?
Alexandre Malhon disse…
Esqueci de pedir para norificar...Então vai de novo:
Alguém sabe o nome da música da propaganda?
Carlos A. A. disse…
Ainda aqui vejo comentários de pessoas, urbanas, que ainda tropeçam em alguns comentários. O agro do Brasil é extremamente necessário para a segurança alimentar do mundo. O nosso agricultor é extremamente competente, consegue produzir 3 culturas no ano no mesmo espaço com a ajuda do nosso clima e do uso de tecnologias. É lógico que a agroindústria é muito bem vinda. Mas temos que entender a particularidade de muitos agricultores, das culturas, dos locais de produção. As vezes uma cultura precisa de enorme área para ser viável economicamente, talvez até produzidas em locais de terras mais baratas pra justificar a logista até os portos ou centros consumidores. Os produtos para nosso consumidor nao tem qualidade inferior como desseram, mas são classificados e vendidos de acordo com sua qualidade. Outro mito é dizer que o orgânico é produzido pela agricultura familiar. A maioria do agricultor familiar produz alimentos convencionais, e podem ter um tamanho que varia de acordo com região e módulos fiscais que se encontra. Alimentos orgânicos é mais marketing que qualidade. Agrotóxicos podem ser lavados, degradam quando o tempo de carência é respeitado enquanto os orgânicos podem ser uma fonte de coliformes fecais que tem também que tomar os cuidados necessários, mas são mais caros, por alguns serem impossíveis de serem produzidos em quantidades econômicas viáveis como convencional. Lembre-se que a ingestão maior de química ativa está nos produtos industrializados, basta ver o rótulo. O agronegócio é realmente o eixo principal da nossa economia, responsável por inúmeros empregos diretos e indiretos. Quer Turbinar a economia no Brasil é só o governo investir na agricultura, melhorando estradas, construindo mais portos, fazendo seguros agrícolas mais efetivos, valorizando e ajudando pequenos e médios produtores, incentivando o consumo de produtos naturais. Tiro certo a resposta é muito rapida


Eleandro Machado disse…
O lanchinho de Caio e Higor

Moro em SP há treze anos, mas sou de família de agricultores do RS.
Digo a vocês: há dois tipos de cidadão urbano em São Paulo.
O boyzinho que mora na Vila Madalena, protesta na Paulista, assiste peças na Augusta e anda de skate na praça Roosevelt. Poderoso em seu smart vermelho, é fiel devotado de Maria Gadú, ama o ciclo-ativismo e – claro – abomina o agro, sem se dar conta de que a maconha que consome é também fruto de um processo agrícola. Este é o Caio.
Caio tem suas roupinhas lavadas e passadas por Raimunda das Neves, cidadã nordestina, que migrou para São Paulo em 1963, no colo de sua mãe. Ela mora no Jardim Jussara. Todo dia, dona Raimunda anda dezesseis quadras, toma um ônibus até o terminal João Dias e segue em outro até o terminal Bandeira. Dali até o apartamento de Caio é mais uma caminhada de vinte minutinhos. Ela tem seis filhos, oito netos e – família muito precoce – um bisneto já está a caminho. Na família de dona Raimunda, exceto a neta mais jovem, fortemente influenciada por seu professor de História, ninguém é contra o agro, talvez por entenderem, ainda que subconscientemente, que só têm acesso à carne vermelha bovina, a preferida do homo sapiens brasileiro, porque ela é produzida sob o binômio zebu/braquiária, o que possibilita um produto natural e de baixíssimo custo, se comparado ao similar produzido na Suíça, país no qual essa proteína é artigo reservado à ceia natalina.
A Globo não está interessada em promover de forma correta o setor rural. Estivesse movida por essa preocupação, partiria exatamente de onde este meu raciocínio está partindo. Diria que agro são todos, do agricultor que tem um hectare àquele que tem cem mil e que simplesmente NÃO EXISTE essa dicotomia entre o homem do campo e o homem da cidade. Exporia as reais razões da WWF. Colocaria o dedo na ferida, que, em grande parte, ela mesma criou.
É claro que nunca fará isso. E, então, continuaremos a ver o Caio e o Higor, seu namorado, protestarem em frente ao shopping Higienópolis, com a camiseta do Greenpeace. Como não é de ferro, o casal fará um lanche depois do protesto. Optarão por hambúrgueres de Angus, no pão sírio, produtos – nem precisaríamos lembrar – produzidos por Miguel Falabella, Taís Araújo e Fátima Bernardes. Ah, já estava esquecendo: o Capitão Nascimento – sempre ele – também ajudou a produzir o lanchinho de Caio e Higor.



Nossa o novo golpe da rede globo, cuidado pessoal, agro é globo...que tem atras disto ????
Gleice disse…
Concordo com Allan Duarte.

Carlos A.A., suas soluções propostas serviriam para tornar os custos de transporte mais baratos, remediar os prejuízos causados pela instabilidade do ambiente e aumentar o lucro dos agricultores através de uma maior demanda por produtos in natura? Então haveriam mais pessoas trabalhando para os agricultores que para as fábricas no final das contas? Como exatamente isso ajuda a economia?
Por que continuar vendendo commodities? Por mais que a atividade agrícola do Brasil seja importante para alimentar o mundo, o mundo talvez não esteja pagando o equivalente à essa importância. Então como nos tornaremos um país desenvolvido, com um bom IDH, exportando algo que é tão barato, e pagando caro em todas as outras coisas essenciais? O investimento em tecnologia, tecnologia importada, pode diminuir naturalmente a demanda por trabalhadores também, o que não divide bem a renda. Depender da agricultura talvez não esteja no interesse do brasileiro justamente por estas questões. Por mais que seja importante para o país, ela não pode sanar todas as necessidades do povo, é algo que se vê desde a época das colônias. Os países mais ricos não alcançaram essa colocação através da venda de commodities. Há também um limite pro crescimento do setor agrícola que é o limite do uso de terras, já se usa muita terra e usar mais terra significa prejudicar o meio ambiente, e esse aspecto que não agrada a população mais jovem. É por isso que o brasileiro quer investir em outros setores. A agricultura é importantíssima para o PIB, porém as pessoas não se sentem diretamente beneficiadas, a maior parte das pessoas trabalha fazendo outras coisas, prestando serviços.
Oiced Mocam disse…
Adorei o comercial,criativo, fantástico o comercial do ano.
Na verdade a intensão não é mostrar que o AGRO de fato é. A Globo está pegando um "gancho" e levar sua logomarca associada ao AGRO É TECH, AGRO É POP, AGRO É VIDA. Substituíndo o AGRO por "GLOBO". Por outro lado, também ressalto que a GLOBO mesmo na forma de lobo, mostra que os commodities são " filé mingnon" e são para exportação e usufruimos das migalhas que caem da mesa. Não que ficamos com um percentual deste filé mignon, mas a parte inferior, para não dizer a sobra. Mas, vender pra fora nos traz lucro? Certamente se este lucro fosse voltado como benefício para os brasileiros, mas, quem é brasileiro se não os mercadejantes de NOSSO tesouro?
Wellington de Andrade (Goiânia)
Onne Leoni disse…
A #Globobosta e suas campanhas de merdas! O agro é polucicao. O Agro é assasinato. O Agro é destruicao. O Agro é merda!
Ajuricaba disse…
Deve viver de luz.
O objetivo é financiar os grandes latifundiários, manter o país como agrário-exportador, como na República Velha ou a política Café com leite. Não vejo a Globo junto com grandes empresários fazendo propagandas para incentivar a educação. Educação é POP! Educação é Tudo!. O dinheiro do pré-sal que iria para a educação, foi extinto. agora vai para o bolso dos gringos.
O objetivo é financiar os grandes latifundiários, manter o país como agrário-exportador, como na República Velha ou a política Café com leite. Não vejo a Globo junto com grandes empresários fazendo propagandas para incentivar a educação. Educação é POP! Educação é Tudo!. O dinheiro do pré-sal que iria para a educação, foi extinto. agora vai para o bolso dos gringos.
Tulimar Barreto disse…
ALGUÉM SABE O NOME DA MÚSICA TEMA DA AGRO
"A sociedade urbana enxerga o agro como sendo feito por um grupo de pessoas prepotentes, conservadoras, ricas e violentas."

Infelizmente as pessoas possuem como referência ao meio rural políticos ruralistas e sites cheios de ódio e ideias ruins como este. Não há propaganda que consiga superar isso.
Marco Oliveira disse…
Gente , pelo amor de deus ! a produção de carne bovina e soja para alimentar o gado é a principal responsável pela destruição das florestas amazõnicas , mata atlantica , cerrado , caatinga e etc... e q é a principal causa dos problemas hídricos do país !!! Sem senso crítico vamos arder em queimadas, incendios e falta de água , inclusive para o agronegócio !! Por favor ACORDEM , antes q seja tarde!
Marco Oliveira disse…
vejam o q está acontecendo no Brasil !! todas as bacias hidrograficas estão muito abaixo da média !! Agro é tudo Agro é tech Agro é pop !! Só esqueceu de dizer !! AGRO é TOXICO !!!
Agro é Tudo Pago Ate o Ar Que Respiro Estou De Mãos Dadas com Salmo vesiculo 11 e 12 Acredito na justiça e igual para todos quero justiça Brasil!!!!
Marcos Torres disse…
deixem os índios, agro merda.