Governo quer que produtores rurais reflorestem uma área do tamanho de duas Franças

Nova economia da recuperação florestal
O Brasil se comprometeu na Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP-21, há pouco mais de um mês, em Paris, a plantar 12 milhões de hectares de florestas no país ao longo dos próximos 14 anos. A área corresponde a quatro Bélgicas. “Ninguém tem uma meta tão ambiciosa quanto a nossa”, perorou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira na ocasião. Mas e agora? O que estamos fazendo para alcança-la?

“Ninguém sabe exatamente. Falta definir questões fundamentais”, diz Rubens Benini, da The Nature Conservancy (TNC), uma das maiores ONGs ambientalistas do mundo. Não se conhece as regras, não se conhece a tecnologia de plantio, não se sabe de onde virão as sementes nem as mudas, não sabe quanto custará essa recuperação, nem muito menos de onde virão os recursos.

“Vamos detalhar o plano nos próximos quatro anos”, afirma Adriano Santhiago, diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente. O Ministério assumiu o compromisso, mas precisa dos dados do CAR para medir o tamanho da encrenca.

Qualquer que seja a proporção, os desafios pela frente serão complexos. A falta de clareza impede o cálculo do investimento necessário para atingi-la. Este blogger já fez aqui uma estimativa que girou em torno de R$ 72 bilhões em 20 anos ou R$ 3,6 bilhões por ano. Relembre: Cortesia com o chapéu alheio

Os ambientalistas, com sua incapacidade crônica de entender rudimentos de economia básica, acreditam que a única forma de atingir a meta é criar uma economia da recuperação. Eles acreditam que o produtor rural deva ganhar dinheiro plantando árvores nativas. Eles só não sabem é se existe quem queira comprar o produto de 12 milhões de hectares dessas matas nativas nem qual será o preço de equilíbrio desse produto derramado em um mercado que não existe. É como eu disse, ambientalista é um bicho incapaz de compreender rudimentos de economia básica.

Se você não sabe o que é um curva de oferta, nem de onde vem uma curva de demanda. Se você não sabe o que é um fluxo de caixa e não entende a necessidade de se descontar o futuro. Você é incapaz de imaginar um mercado, ou uma economia nova como a tal economia da recuperação. Os ambientalistas (governamentais e não governamentais) não assim incapazes.

“Se conseguirmos provar a viabilidade econômica de espécies nativas, a exemplo do que fizemos com o eucalipto, o setor atrairá investimentos do mercado tradicional e não precisará de nenhum subsídio para decolar”, disse à revista Exame Ana Yang, do The Children’s Investment Fund Foundation (CIFF). Yang é uma desses ambientalistas incapazes de distinguir um gráfico de equilíbrio de mercado de um X em itálico.

Entenderam o drama? Os ambientalistas ainda estão tentando provar aos produtores rurais que um negócio ruim é um bom negócio. É assim, mergulhados na escuridão de um mar de suposições e falta de respostas, que o Brasil segue na direção da meta assumida em Paris: Reflorestar a França duas vezes.

Vejam este curioso post que escrevi sobre esse tema há 5 anos atrás, no auge do debate sobre o novo Código Florestal: Quatro perguntas a Izabella Teixeira

Comentários

Joao Vasconcelos disse…
Infelizmente isso não irá acontecer.