Quem são os verdadeiros inimigos do Brasil, por Moreira Mendes

Deputado Moreira Mendes, PSD-RO
Brasília-DF, 04/02/2013 - Como parlamentar ligado ao agronegócio - setor que contribui de maneira decisiva com o Produto Interno Bruto (PIB) - tenho interesse e acompanho atentamente o debate em torno da demarcação de terras indígenas no Brasil.

Tanto que já propus que a academia, nossos pesquisadores e cientistas apontassem alternativas para a problemática, uma vez que ela envolve diretamente o setor produtivo nacional, e que os pesquisadores são nossos parceiros históricos. E como demonstração de comprometimento, sugeri que os mesmos mobilizassem a sociedade em torno da PEC 215/2000, aprovada em 2012 na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), da Câmara dos Deputados. Tal proposta, quando promulgada, será um grande avanço nesse sentido.

Por conta desse tema, em recente artigo que escrevi abordo a distância e o total desconhecimento entre dois brasis: o que produz e o que consome. Apontando suas causas e lamentáveis consequências para ambos. Em que relatei, também, a minha luta e de muitos companheiros e entidades comprometidas com o Brasil, na aprovação do novo Código Florestal Brasileiro. Não é o que o País precisa, mas foi o possível de se construir. O que já significa uma grande conquista, principalmente na segurança jurídica a quem produz.

Fiz este preâmbulo para mostrar que essas e outras questões estão diretamente ligadas a uma que nos preocupa e muito: a interferência de organizações não governamentais estrangeiras, e milionárias em dólar e euro, em nosso território, promovendo ações extremamente danosas especialmente contra o setor produtivo brasileiro.

Para minha grata surpresa, tomei conhecimento da consistente entrevista do antropólogo, mestre e doutorando pela Universidade de Brasília (UnB), Edward M. Luiz, à revista Infovias, edição n.º 11, de janeiro 2013, dando o respaldo acadêmico a um ponto de vista bastante corajoso e muito oportuno, sobre a demarcação de terras indígenas no Brasil, da forma como defendem as ONG’s estrangeiras e o verdadeiro papel dessas em impedir o nosso crescimento, atingindo diretamente o setor produtivo brasileiro, sob diversas bandeiras. Entre elas, uma hipotética, delirante e bem remunerada defesa do meio ambiente e uma demarcação de terras indígenas, mas desejada por eles, que pelos próprios índios. Como bem alerta o isento professor: “Tais interesses excusos se escondem por trás de iniciativas e atividades aparentemente legítimas, como por exemplo, demarcar terras indígenas, criação de territórios quilombolas, de comunidades tradicionais e unidades de conservação”.

Quando nós, do agronegócio, levantamos esta e outras questões e apontamos as mesmas respostas, somos imediatamente tachados de reacionários, para dizer o mínimo. Outra indagação dessa natureza que constantemente ouvimos e respondemos, e consequentemente, somos apontados como retrógrados, são as razões pelas quais países ricos gastam verdadeiras fortunas patrocinando essas “causas” em território brasileiro.

Quanto a isso, sempre afirmamos que o crescimento do Brasil, especialmente em nosso setor, incomoda os países ricos, ou os em desenvolvimento, pela imensidão de terras que dispomos para a agricultura e pela ausência de problemas climáticos e demográficos. O que se confirma, novamente, na entrevista do acadêmico quando diz: “Não temos fatores físicos que freiem o nosso desenvolvimento. Se compararmos o Brasil com os outros três países que compõem o bloco chamado BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China, percebe-se claramente as vantagens evidentes e sólidas do Brasil. Nosso clima e meteorologia são fantásticos”.

Eis, portanto, conforme tenho insistentemente alertado na Tribuna da Câmara, em entrevistas e seminários que participo as razões pelas quais os países da Europa e os EUA financiam esta campanha bilionária contra nosso desenvolvimento.

Como já disse, não há mentira que dure para sempre, prova disso é a mais ampla e séria pesquisa realizada no Brasil junto às comunidades indígenas, encomendada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), ao Instituto Datafolha e divulgada em 2012, mostrando claramente que os índios não têm interesses em mais terras que as que já possuem. Eles desejam, sim, é ter acesso a serviços públicos de qualidade, como saúde e educação e a bens de consumo.

A ampliação de suas terras (demarcação) nem aparece como resposta quando as perguntas sobre suas necessidades são feitas no formato “espontâneas”. Ou seja, isso não é prioridade aos nossos índios, como afirmam as ONG’s internacionais, mas que é desmentido, também, pelo professor Edward em sua entrevista, quando denuncia: “Eu diria, uma parte significativa do movimento indigenista brasileiro, está sim recebendo dinheiro de organizações não governamentais, de agências de cooperações internacionais dos países do hemisfério norte. Por exemplo; a GTZ, ONG alemã, foi quem financiou por décadas todas as iniciativas de demarcação de terras indígenas no Brasil”.

Não sei o que mais me motivou escrever essas linhas: se a alegria da confirmação pelo renomado acadêmico da UnB, das denúncias que nós do setor produtivo fazemos constantemente e a indicação dos reais interessados no desenvolvimento do Brasil, ou a sensação de que anos de luta, minha e de muitos outros companheiros, serão convertidos no sucesso do nosso setor e, consequentemente, do País. Além, evidente, de mostrar claramente quais os verdadeiros inimigos do Brasil.

Rubens Moreira Mendes Filho é deputado federal pelo PSD-RO e foi presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Comentários

Régis disse…
Acabo de ver na globo news, entrevista com presidente do banco central, onde ele disse que a agricultura (para variar), será a âncora da inflação em 2013.
O que será que está acontecendo dentro de alguns poderes da república que insistem em prejudicar o Agronegócio?
Luiz Prado disse…
Deputado - Que tal pedir informações à ABIN sobre a origem dos recursos de um grupo selecionado de ONGs? Elas evidentemente obedecem a quem as paga, ainda que os recursos possam passar por vários tipos de "branqueamento" ao longo do caminho.
Quero agora poder repensar com vocês sobre o homem do campo: muitas vezes conhecido também como roceiro, peão, boiadeiro, entre outros apelidos e cognomes, este homem que lá esta no seu dia a dia , com chuva ou com sol, trazendo para mesa de todos os brasileiros seu alimento.

Qual não seria então a importância de homens, que são responsáveis por aquilo que o ser humano precisa para ter asseguradas, suas necessidades prioritárias, que são as necessidades básicas garantidas em nossa constituição: o alimento e a água

O que você e sua família comem, este homem simples na sua grande maioria com pouca cultura, é quem lhe serve , nos os produtores rurais somos responsáveis por toda alimentação do mundo.

Percebem a nossa importância para o mundo? Como o nosso trabalho e tão pouco valorizado?Acredito que poucos de nos já refletimos sobre isso, e por isso mesmo não temos lutado por aquilo que nos é de direito nossas terras, que alem de sustentarem os brasileiros sustenta a economia do Brasil com suas exportações e ainda sustenta grande parte do mundo.

Para que a soja, o café, a laranja, a carne e todos os produtos que exportamos saiam de nossas fronteiras ali esteve um homem que esteve em suas terras, lavrando-a, esperando que o sol e a chuva viessem no tempo correto para que a semente fosse plantada e germinasse, retirou o mato que a envolvia e não a permitia de crescer, adubou, esperou e rezou para que Deus enviasse mais uma vez um tempo bom, curou as pragas e aguardou a generosidade do Criador para que se pudesse ter uma boa coleta.

Claro que houve grandes plantadores neste plantio também, mas eles também precisaram contar com todo este processo, o que os diferencia são algumas maquinas que podem facilitar a vida.

Acho que agora também podemos falar a respeito dos criadores de gado: será que a população mundial pelo menos 10% dela, sabe que um bezerro demora 3 anos para virar um boi? Isso quando contamos com bom tempo, boa linhagem, bom pasto, remédios e vacina na hora exata.

Mas será que os brasileiros sabem que o litro de leite custa em torno $0,85 para o produtor?

Imaginaria os brasileiros que uma boa novilha que fica em regime de campo da em torno de 8 litros de leite e que o plantel nacional conta com pouquíssimos animais deste nível pois o produtor de leite em sua maioria não tem dinheiro para comprar um animal deste porte?

Todas essas informações que descrevi anteriormente pensando sempre que tudo vai dar certo, não terá buraco para o animal cair, nem doenças que levarão a morte, nem pragas que matarão o capim e a lavoura sem contar com o período da estiagem ou de abundancia de chuvas...

PAREM POR FAVOR!

Nos produtores rurais temos mesmo que pagar a divida do mundo com a natureza?

Porque existe um Código Florestal que obriga somente o homem do campo fazer doações?

Porque só o homem do campo tem que pagar por isso?

Verdade são muitas as reflexões que devemos fazer a respeito de nosso trabalho e da nossa historia de trabalhadores rurais.

Você já pensou como seria do nosso Brasil se não houvesse quem cultiva e lavra a terra? Se não houvesse o que cuida dos animais, tirando o leite, dando alimentos, cuidando de suas doenças, melhorando sua genética?E os pequenos animais domésticos galinhas, os carneiros, os cavalos, e porcos como eles seria com eles.