Entenda porque a manifestação de hoje em São Paulo contra o Código Florestal não significa nada

Protestando contra o Brasil rural em frente
 ao Monumento às Bandeiras 
Durante o mestrado, na Universidade de Brasília, tive um grande professor de economia, professor Pedro Zucchi. Entre muitas outras coisas professor Pedro me ensinou a diferença entre os conceitos de envolvido e comprometido. Ele usou uma metáfora para explicar a diferença. Ele me disse que no filé-a-cavalo, o cavalo está apenas envolvido, quem está comprometido é o filé bovino e o ovo da galinha. Professor Pedro Zucchi é um grande professor.

Hoje, domingão de sol, em São Paulo os ambientalistas fizeram uma manifestação contra a reforma do Código Florestal. Nos deram outra grande metáfora que bem exemplifica a diferença entre envolvimento e comprometimento.

Assim como o cavalo do filé-a-cavalo, os militantes da manifestação contra o Código Florestal estão só envolvidos com o tema. Quem está comprometido mesmo é o produtor rural. É muito fácil militar por leis que outros se esfalfarão para cumprir. A Cristiane Torloni, o Vitor Fasano, o Bono Vox, o James Cameron, a Madre Marina de Xapurí, os padres, os universitários, os cientistas e os ambientalistas, não terão fazer qualquer esforço para cumprir o que exige a lei. Eles não são produtores, não serão multados por falta de Reserva Legal, nem perseguidos pelo Ibama por falta de APP.

Logicamente, se os produtores rurais brasileiros debilitarem a agricultura nacional para recuperar RL e APP, Torloni, Bono, Fasano, Madre Marina de Xapuri e os outros, ficarão bem felizes e confortáveis em um planeta com um grande jardim. Ir para a rua exigir um mundo melhor, mais preservado, empurrando o ônus desse melhoramento para "o outro" e se eximindo de arcar com sua parte desse latifúndio, é bastante confortável.

É divertido lutar pelo bem quando a gente fica só com o benefício e a parte dura e onerosa fica lá com os "ruralistas". Afinal, preservar meio ambiente no * dos outros é refresco.

Em tempo, a incoerência é tanta que os ambientalistas acharam de reunir seus militontos para protestar contra a reforma do Código Florestal diante da escultura de Victor Brecheret erguida em homenagem ao esforço dos bandeirantes para desbravar o nosso país. Na frente do Monumento aos Bandeirantes onde os ambientalistas protestaram hoje em São Paulo há um mapa de Afonso Taunay, esculpido no granito, mostrando o roteiro das expedições e os nomes dos bandeirantes mais famosos, entre eles Fernão Dias, Anhangüera, Borba Gato e Raposo Tavares.

Ambientalista é um bicho naturalmente incoerente.

Comentários

verdurao disse…
novo codigo florestal, e uma vergonha para o brasil, um cidadao que rouba um pao por estar com fome nao e anistiado cumpre sua pena, ruralistas que agiram a margem da lei tambem devia ser punidos. a outras formas de aumentar a produtividade, nao precisa reduzir ainda mais as APPs. devemos acabar e com o sub aproveitamento de terras cultivaveis. VETA DILMA
jerson disse…
no caso de hoje o envolvido não é o cavalo, são os burros.
Carlos A. A. disse…
Avaliando protesto “Veta Dilma” de maneira lógica:
- Produtos que tomaram o lugar de florestas que você ser humano usa: Alimentos, couro, papel, ferro e metais em geral, madeira, vidros, remédios, tecidos, areia, pedra, defensivos agrícolas, adubos, etc.
- Tecnologia envolvida na produção de alimentos: Muita
- Tendência em aumentar mais ainda essa produção por área em curto espaço de tempo: Limitada
- Necessidade de alimentos e de outros produtos na população crescente: Já com muita carência.
- Locais no mundo ainda com fronteiras agrícolas: Brasil, África
- Quantidade de terras usada para agricultura no Brasil : somente 28%
- Latifundiários: Pouquíssimos
- Médios e pequenos produtores: Muitos
- Novo código diminuirá terras agricultáveis: Sim
- e com o veto: Quantidade consideravelmente maior
- Novo código eliminará alguns produtores do agronegócio: Sim
- com o veto? Eliminará muitos e inviabilizará suas terras.
- Produtores na ilegalidade na lei vigente: 90%
- Preço dos alimentos e subprodutos: terá aumento
- Com o veto: Terá aumento significante
Leia, entenda, pesquise e se informe sobre o novo código.
Analisando bem esse veto é ruim para você e péssimo para o Brasil, pois favorece apenas a agricultura de outros países inviabilizando e encarecendo a nossa.
É só você prestar a atenção e ver como a agricultura está presente em quase tudo o que você usa. Tenha também orgulho da nossa agricultura e dos nossos agricultores que terão que plantar, cuidar e ser responsáveis pelas matas com seus próprios recursos. Lembrem-se que voce na cidade também tem sua parcela de culpa pela poluição em geral que vc causa. A vegetação que ainda temos vai melhor preservada e segura com o novo código, que não permite destruir mais e obriga a plantar as margens desnudas dos rios juntamente com a Reserva Legal, mas agora dando uma condição não só ambiental mas econômica sócio-ambiental interessante a todos. Não dê ouvido a atores televisivos nesses protestos...eles sabem mesmo é só representar.
Luís F Brandão disse…
Um cidadão que rouba um pão é muitas vezes anistiado sim. Conhece tanto da realidade do campo como da cidade... é muita ignorância numa pessoa só...
Luís F Brandão disse…
Um cidadão que rouba um pão é muitas vezes anistiado sim. Conhece tanto da realidade do campo como da cidade... é muita ignorância numa pessoa só...
Luiz Prado disse…
No ecossistema do Ibirapuera em domingo de sol. conseguiram juntar apenas 1.500 ambientalóides, somados os ciclistas que ali estavam passeando, as dondocas que receberam camisetas verdinhas na hora, os hare-krishas e outros. Foi um ótimo sinal de que o interesse dos ongolóides pelo assunto não toca mais ninguém.
Conheço bem o Parque do Ibirapuera e estive na “manifestação”.

Os organizadores são “ambientalistas falsos” que sabem a verdade sobre o Código Florestal, mas mentem descaradamente, a serviço de outros interesses. Se tivessem um mínimo de preocupação com o Meio Ambiente estariam dando prioridade total na luta contra: o consumismo irresponsável das classes média e alta urbanas; o lançamento nos rios e oceanos de esgotos urbanos não tratados; a queima irresponsável de combustíveis fósseis pelos urbanos; etc. E na luta a favor da coleta seletiva de lixo urbano; reuso, reciclagem total, etc.

O próprio Parque do Ibirapuera não poderia existir se o Código Florestal fosse cumprido.

Se aqui tivesse um dos Promotores radicais que assolam os agricultores e o interior paulista, e resolvesse cumprir o CF e respeitar as APPs de margens de nascentes, rios e lagos, teriam que demolir as edificações, as praças, as ruas asfaltadas, etc, onde foi feita a manifestação. É o cúmulo da ignorância e hipocrisia.

Os demais participantes até podem ter boa intenção, mas não tem noção do que está acontecendo e se deixam levar pelos “ambientalistas falsos”. Alguns são “ambientalistas ignorantes” no sentido que ignoram a verdade sobre o Código Florestal.

Não é a toa que existe o ditado: ”de boas intenções o inferno está cheio”.

Porém, boa intenção não basta. É preciso fazer a coisa certa. Para fazer a coisa certa é necessário seriedade e conhecimento, senão, festeiros ignorantes do assunto, apesar da boa intenção acabam fazendo a coisa errada e causando resultados perversos.

A maioria dos manifestantes é da classe média e foi para o Parque em veículos poluidores, consome muito mais do que o necessário, não sabe que os dejetos deles estão indo para o rio Tietê sem tratamento, matando completamente a fauna aquática e poluindo as águas, etc, etc.

Na média, para ter Sustentabilidade ou compensar o impacto ambiental causado por um destes brasileiros da classe média baixa seriam necessários 3,4 hectares ou 34.000m2 ou +- 5 campos de futebol de Área Preservada.

Mas eles não têm nada de área preservada, nem pagam nada pela preservação necessária para compensar a sua pegada ecológica.

E ainda apontam o dedo para os outros. Ou é ignorância ou é má fé e hipocrisia.
claudia c disse…
Carlos A.A.Se não se importar vou usar seu texto,é muito interessante e explica muito bem a logica desse assunto.
Na minha humilda opnião vetar esse código seria a maior de todas as incoerencias,porque ele foi aceito pela maioria e ao que me parece isso sim é democracia,vetar a maioria é algo que a Presindenta não faria ela saber muito bem o peso que tem a ditadura no lombo de quem trabalha.
BiologiaUFPR2009 disse…
Pelo que percebi, há no texto dois principais argumentos: o de que a lei dificilmente é cumprida pelos produtores rurais e o de que ambientalista não se importa com a realidade do campo. A primeira tem um raciocínio juridicamente incoerente, já que a lei é feita para zelar pelo bem coletivo, isto é, o bem comum acima do individual. Isso significa que não podemos flexibilizar uma lei porque alguns têm dificuldade de cumpri-la, pois isso traria problemas para o coletivo,para toda a sociedade. Mesmo assim, é sabido que os pequenos agricultores e a agricultura familiar , que são os que realmente têm problemas para cumprir as exigências do Código Florestal, já são protegidos pelo CONAMA e isentos de RL. Diga-se de passagem que a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos consumidos no Brasil e,portanto, quando o texto fala em fome é de certa forma incoerente, pois a mudança do código florestal não irá beneficiar esses pequenos agricultores e sim os grandes produtores, que produzem para gerar commodities. E quanto ao segundo argumento, como ele explica então a presença de todos, simplesmente todos os movimentos de pequenos e médios agricultores e agricultura familiar (como Terra de Direitos, FEAB, MST, CUT...) no manifesto nacional contra as mudanças do Código?Estranho, não?
Tiago disse…
e quem disse que precisa reduzir APPs pra aumentar a produtividade? Produtividade por definição é produção por unidade de área... ninguém precisa de mais área pra aumentar a produtividade e sim para aumentar a produção, não confunda. Verdurao, não fale asneiras, se você soubesse dos índices de produtividade brasileiros não diria tanta bobagem. Escolham, ou criticam os "ruralistas" que tem grandes extensões de terra ou criticam a baixa produtividade, os dois juntos não. Baixa produtividade hoje existe em locais com pouca assistência técnica ou acesso a tecnologia. Os grande produtores tem índices altíssimos.
Tiago disse…
BiologiaUFPR2009, você esta sendo muito inocente em achar que esses movimentos representam a grande massa que movimenta a bruxuleara do pais. A verdade e que esses movimentos sao políticos em grande parte e nao traduzem a vontade do pessoal que esta todo dia trabalhando no campo. O problema da lei nao e somente sobre a dificuldade de se cumprir, mas também o fato de ignorar completamente o modo de produção tradicional de muitas regiões. É tentar forcar uma mudança absurda como se fosse algo trivial. Se você acha que pequenos agricultores sao protegidos dos devaneios do atual código da uma olhada nos muitos exemplos de abusos reportados em vários posts aqui no site. Se você acha que essa lei serve para zelar pelo bem coletivo então por que a coletividade (rural e urbana) nao tem um papel semelhante nela? Qual a concessão que as pessoas que moram em grandes cidades estão a ponto de fazer? 90% de propriedades ilegais e m numer meio alto nao? Será que eles gostariam de estar ilegais se fosse algo fácil de se cumprir?
Bero Vidal disse…
Observemos a lógica: Quanto menos se produz alimentos no Brasil, mais importa-se a preços elevados a comida de milhões de brasileiro. As transações em bancos multinacionais (base econômica do governo do PT) continuarão tendo upgrade anual, enquanto o brasileiro pagará, a cada ano, bem mais caro pelo feijão com arroz. Não vos enganem: Vamos comer arroz da China).Como dizia Adam Smith: "o consumo é o fim e único propósito da produção"
Esse monumento é feito para homenagear os "heróicos" bandeirantes, que "desbravaram" o Brasil. Eram incursões de caça pra escravizar e extermínio pra liberar territórios pra exploração. Eram iniciativas com base na ganância e na crueldade com os povos locais. Devia se chamar "monumento ao genocídio dos povos originários" e clamar pela tomada de consciência e resgate dos crimes cometidos na colonização pelos europeus.
Ciro Siqueira disse…
Eis aí um excelente exemplo de julgamento atemporal. Não se pode julgar com a régua moral de hoje aquele que agiu baseado por outra regra moral. Talvez essa atitude seja a verdadeira canalhice.