A ciência e o Código Florestal: O que a SBPC se recusa a enxergar

A política ambiental de reserva legal em assentamentos rurais da Amazônia maranhense

O pesquisador Marcos Alexandre Kowarick defendeu uma dissertação de mestrado aprovada pela Universidade de Brasília. O pesquisador avaliou a eficácia da política de preservação via Reserva Legal em projetos assentamentos (PAs) da reforma agrária. O trabalho estudou assentamentos situados no município de Bom Jesus das Selvas, no Oeste Maranhense, na Amazônia Oriental.
Um das fotos que ilustra a tese de Marcos Kowarick. É essa gente que os ambientalistas acham que deve preservar o meio ambiente para o regozijo do planeta.
O objetivo geral foi verificar o que ocorreu com o instituto da RL nos PAs entre os anos de 1999 e 2010. A hipótese foi de que a RL não foi instituída nos PAs, devido a insuficiência e desarticulação desta política ambiental frente às forças de mercado, às políticas de desenvolvimento da região e aos sistemas de cultivo dos assentados

O trabalho analisou o que ocorreu com a RL dos assentamentos utilizando o mapeamento da cobertura e uso da Terra, a partir de imagens de satélite. A partir da classificação das imagens e do trabalho de campo o trabalho classificou a vegetação dos PAs em: floresta nativa, capoeira alta, capoeira média, capoeira baixa/cultivos e pastagens. Os PAs selecionados atenderam a dois critérios: ser o mais florestado quando da sua criação e ser dos mais desflorestados no seu grupo no ano de 2010.

O estudo analisou o PA Chico Mendes e o PA Raimundo Panelada. Este blogger conhece pessoalmente os dois assentamentos e outros que existem no entorno.

O pesquisador fez algo que a SBPC não tem o hábito e fazer, foi a campo. Realizou 40 entrevistas com assentados dos dois PAs, utilizou também dados do INCRA, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Maranhão (SEMA), do Banco do Nordeste (BN), e da Prefeitura Municipal de Bom Jesus das Selvas.

Resultado

Os dados e as entrevistas revelaram que não existe RL instituída nos PAs do município, muito menos licenciamento ambiental destes dos projetos. A análise da cobertura e uso da Terra revelou que a maior parte da floresta nativa sofreu corte raso e mais que 65% da paisagem dos PAs é composta por capoeiras devido ao sistema de queimada/derrubada utilizado pelos assentados. A pesquisa mostrou que o serviço de assistência técnica (ATER) não coopera com o instituto da RL.

As entrevistas revelaram que os sistemas de manejo florestal sustentável para o uso da RL são desconhecidos pelos assentados e não compõem a base de projetos dos agentes de financiamento nem da assistência técnica.

A hipótese principal, de que as RLs não existem, foi confirmada. A política de RL é insuficiente, técnica e operacionalmente, e os órgãos atuam de forma desarticulada frente às forças de mercado e aos sistemas de cultivo derrubada/queimada utilizado pelos assentados. Conclui ainda que as forças de mercado da região se opõem à RL na sua forma atual.

Em tempo, eu sei disso desde quanto tinha 11 anos de idade. Minha dissertação de mestrado, aprovada por uma banca de Phds, mostra isso. Eis aí outra evidência científica do que este blogger tenta mostra há anos aqui neste espaço.

Só os "cientistas" da SBPC e ABC se recusam a enxergar o óbvio. Clique aqui e faça o download da dissertação na integra: 2011_MarcosAlexandreKowarick.pdf

Comentários

amadeuszanetini disse…
Olá Ciro, gostaria de ter acesso também a seus trabalhos de mestrado e doutorado

obrigadoo
Ciro Siqueira disse…
Dá uma olhada nesse link:

http://vsites.unb.br/face/eco/ceema/mestradodissertacoes.html

A minha é a de número 77. Sugiro também uma olhada na de nº 105.

Não fiz doutorado, ainda não tive oportunidade.