Temos que nos reeducar em relação às questões do meio ambiente", pondera Stephannes.

Último Ministro da Agricultura descente
do Brasil: Reinhold Stephannes
O último ministro da Agricultura descente que o Brasil teve, o deputado federal Reinhold Stephanes (PSD/PR), vem tentando tranquilizar os produtores rurais sobre a aplicação do novo Código Florestal de acordo com o texto do Senado. Enquanto o ruralismo irresponsável vem inflamando o baixo clero da Câmara contra a reforma da lei, Stephannes e outros deputados mais moderados vem fazendo o movimento contrário.

Stephannes lembra que nem todas as mudanças imposta pelo novo texto do Código Florestal serão imediatas. Segundo ele, o prazo pode demorar até cinco anos para a regulamentação e implantação do Cadastro Ambiental Rural e do Programa de Regularização Ambiental; para a inscrição do agricultor; e a analise nos respectivos órgãos públicos.

"O mais importante é que os órgãos ambientais e os fiscais incorporem a nova visão do código. Todos temos que nos reeducar em relação às questões do meio ambiente", ponderou o ex-ministro. Para Stephanes, as mudanças no Código Florestal precisam ser entendidas pela sociedade. "Fala-se muito em anistia, mas essa é uma ideia errada. Afinal é injusto penalizar quem desmatou seguindo a orientação da lei da época", afirmou.

O deputado ressaltou, porém, que será exigida dos produtores a recomposição da área desmatada indevidamente. Nesse caso, segundo ele, a suspensão das multas está condicionada à recuperação do dano ambiental, que tem um custo para o produtor. "Agora, quem desmatou indevidamente após 2008 deverá pagar a multa e fazer o reflorestamento", finalizou.

Em tempo, nesse debate histérico em torno do Código Florestal onde xiitas de parte a parte se resumem a repetir os argumentos estridentes, a gente nem se apercebe das pequenas coisas. Vez por outra alguém tácito assim como Stephannes trás uma percepção nova, um olhar a partir de um referencial onde ninguém pôs os pés antes.

Eu não tinha visto a coisa por essa ótica. Gosto muito do Stephannes. Não fosse pela coragem que ele teve de peitar o desvairado do Minc esse processo de reforma jamais teria se iniciado. Tivéssemos àquela época um Ministro boca aberta como Wagner Rossi ou Mendes Ribeiro o setor rural estaria sofrendo as consequências do decreto insano do Minc.

Mais uma vez o ex Ministro Stephannes vem trazer uma percepção nova: queiram os talibãs da clorofila ou não, o texto reforma do Código Florestal munda a conotação punitiva e persecutória do entulho autoritário vigente para um conotação conciliatória. Essa mudança deveria ser embutida também nos órgãos ambientais e naqueles encarregados fiscalizar o cumprimento da lei, Ibama e Ministério Público.

Duvido que isso aconteça. Há no Ibama, no Ministério Público, nas editoria dos jornalões e nas ONGs, gente aistórica, que não gosta de produtor rural, que os reduz, todos, a um estereótipo bocó, simplório: ruralista. O ruralista é um espécie de Geni, como na música do Chico Buarque.

Isso deveria mudar. Deveríamos ter órgãos ambientais, promotores, jornalistas e ongueiros que cobrassem dos produtores rurais o cumprimento da legiislação ambiental, mas não imbuídos de um espírito de perseguição, preconceituoso, guerreiro. Mas sim imbuídos de um espírito de parceria.

Para isso seria necessário que o bando de xiitas que tomou conta do Ibama, do Ministério Público, das ONGs e dos jornalões simplesmente percebessem que o oligarca escravocrata do século XVIII morreu, que o agricultor do Paraná e o grileiro do Amazônas são pessoas diferentes.

Duvido d ó dó que isso aconteça.

A foto que ilustra o post é de Fábio Rodrigues Pozzebom da Agência Brasil.

Um comentário:

osenhortodopoderoso disse...

Não se pode nunca esquecer que um hectare com uma vaca fornece leite para alimentar 50 pessoas por dia. Será que podemos abrir mão dessa produção?

Acreditamos que há caminhos para conciliar produção e preservação ambiental. A lei não pode perder este horizonte.

Adílio Teixeira da Silva · Universidade Federal de Viçosa