Lá vem o Governo: Dilma tenta assumir o controle da reforma do Código Florestal

Agricultura nacional ou ecofundamentalismo
internacional? Eis a questão!
Foto: Antonio Cruz/ABr
A presidente Dilma Rousseff decidiu assumir pessoalmente as negociações da reforma do Código Florestal. Antes nas mãos da Ministra brucutu das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, as tratativas empacaram.

Na última sexta feira, Dilma se reuniu por duas horas com seis de seus ministros mais ligados ao tema. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a orientação da presidente é evitar a votação do Código Florestal até que o governo consiga construir uma maioria de votos que permita aprovar o texto conforme veio do Senado.

Mas a reunião desta sexta deixou claro que, diante da reação à intervenção, Dilma não recuou. Ao contrário, entrou pessoalmente no jogo para evitar, mais do que uma derrota, um grande retrocesso na política ambiental do governo às vésperas da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil sediará em junho.

O primeiro passo para tentar evitar a aprovação de um Código Florestal que não destrua parte da agricultura nacional em nome da mais floresta é conter a rebelião na base política. O governo entende que se comprar adequadamente sua base fisiológica de sustentação a força política em defesa da agricultura nacional diminui.

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, que participou da reunião, vestiu uma camisa de homem e levou por escrito à Dilma uma justificativa à proposta defendida pelo relator do Código Florestal, Paulo Piau. Ribeiro tentou mostrar à presidente que o texto do senado implicará em destruição da terras em agrícolas em APPs, algo que sua colega do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, chama de recuperação ambiental e do qual não abre mão. Os deputados não endossarão o que os ambientalistas do governo querem. Dilma terá que fazê-lo por sua conta e risco.

Apelo

No dia anterior, quinta feira, Dilma se reuniu com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Kassab, que é um dos fundadores e líder do PSD, terceira maior bancada da Câmara, viajou até Brasília a pedido de Dilma para essa reunião. A presidente apelou à Kassab pelo apoio do PSD na aprovação do texto do Senado para a reforma do Código Florestal. Kassab negou.

O prefeito disse à presidente que não tem controle sobre esse tema na bancada. Entre os 47 deputados do partido há muitos liados ao setor rural, como Homero Pereira, Reinhold Stephanes e o próprio presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Moreira Mendes, todos fincados no front da agropecuária na guerra contra o fundamentalismo ambiental pela preservação das áreas agrícolas em APPs e RLs.

Duas leitura equivocadas

A presidente Dilma Rousseff fez duas leituras bisonhas da situação política em torno da reforma do Código Florestal. O Painel da Falha de São Paulo de hoje publicou que Dilma anda se queixando do silêncio das ONGs ambientalistas e dos pop stars do fundamentalismo ambiental em apoio à posição do governo de não ceder às exigências dos ruralistas no Código Florestal.

Os verdes não apoiarão Dilma. Ecoxiita não apoia infiel e qualquer um que não seja um ecoxiita é um cão infiel. Semana passada as ONGs ameaçaram entregar o prêmio Motoserra de Ouro à presidente Dilma durante a Conferência Rio+20 com o objetivo de constranger a presidente do Brasil diante dos representantes do outros países. Alguns jornalões dizem que Dilma mudou de posição sobre o Código Florestal com medo do constrangimento público. Não se iluda, presidente, ele ainda tentarão constrangê-la seja qual for sua atitude em relação ao Código Florestal. É disso que eles vivem, é assim que arranjam fundos, fazendo palhaçadas fotogênicas mundo a fora. Tentar se aproximar dos talibãs da clorofila foi o primeiro erro de Dilma Ruimsseff. Fundamentalista não aceita esse tipo de movimento.

Outro grande erro de Dilma foi achar que os partidos políticos estão usando o Código Florestal para chantagear o governo em favores, o famoso toma-lá-dá-cá, tão querido pelos jornalistas por simplificar confortavelmente as análises. Não há fisiologismo no apoio ao Código Florestal. Muito antes pelo contrário. O apoio à reforma do Código Florestal é um apoio com raízes nas convicções de cada um dos deputados que querem alterar a lei e eles estão em quase todos os partidos, seja do governo, seja da oposição. A sociedade brasileira está tão habituada aos pitis fisiológicos dos partidos políticos que nem cogitam mais a possibilidade de um voto por convicção.

Qualquer um que conhecem minimamente o campo, ou que precisa visitá-lo vez por outra em busca de voto, percebe a forma como os produtores rurais vêm sendo violentados pelos talibãs da clorofila. Escondidos na pele de cordeiro da salvação das florestas os cães canalhas do ambientalismo convencional vêm criando entraves legais, multando, embargando, desalojando, arrestando, humilhando, exigido tacs impossíveis, criando todo sorte de problemas ambientais àqueles tidos como destruidores da natureza, os caras maus. Mas muitos deles não passam de brasileiros comuns, trabalhadores e produtores rurais. É essa injustiça que grassa no Brasil real, não urbano, que está na raiz do sentimento reformador e que impele o Congresso Nacional brasileiro.

Aquilo que cegou os jornalões para o que havia por trás da guerra de Canudos no passado, é o mesmo que os cega agora para o que há por trás da guerra pelo Código Florestal. Foi preciso alguém com o talento de Euclides da Cunha para jogar na cara do Brasil oficial o se passava de facto no Brasil real. Não existem mais Euclides da Cunha. Nossos jornalistas se acostumaram à mediocridade das martas salomons e à desfaçatez dos claudios angelos e não mostrarão mais à sociedade o Brasil real. Tampouco as ONGs os farão. Essa incapacidade de ler a centelha do movimento reformador do Código Florestal faz nossa presidente errar ao achar que pode conter a reforma do Código Florestal com emendas de plenário ou manobras protelatórias.

A estratégia do governo

Entretanto, o que nos interessa, caro leitor, é que Dilma leu errado a situação. E quando se lê errado um problema só se consegue imaginar soluções erradas para ele. Foi por ler errado o problema que Dilma tentou votar a Lei da Copa na semana passada e viu todos os partidos, incluindo 19 deputados do PT, fazerem obstrução; foi por ler errado o problema que Dilma apelou a Kassab e tomou um não na orelha. Dilma e suas ministras brucutus, Ideli e Izabella, ainda não realizaram a situação.

A estratégia (errada) das três desorientadas será retardar a votação do Código Florestal até o dia 11 de abril. No dia 11 a Presidente fará publicar no diário oficial a 5ª prorrogação do decreto que criminaliza a agricultura brasileira. Com a prorrogação do decreto a brucutu-mor e suas brucutuzetes acreditam que a tenacidade dos deputados pela reforma do Código Florestal broxará e eles conseguiram postergar a votação do Código Florestal para 2013 abrindo caminho para a lei da copa e o restante da pauta do governo.

Eu acho que eles darão com as burras n'água. E você, o que acha? Deixe seu comentário.

O que vem por aí

A próxima semana deve ser morta. O governo não arriscará colocar nada em votação enquanto não achar um jeito de apaziguar a maioria de deputados que querem votar o Código Florestal. A semana seguinte é semana santa e haverá recesso branco na Câmara. A semana que sucede a semana santa é a semana do dia 11. Ou seja, não há tempo hábil para a votação da reforma do Código Floresta antes do dia 11 de abril. A presidente vai adiar o decreto, provavelmente para julho de 2013.

Resta saber que os deputados terão força para sustentar a obstrução ao governo mesmo após o 5ª adiamento do decreto insólito que torna crime produzir alimentos no Brasil.

Comentários

Regina disse…
Nossa Presidente precisa saber que a classe rural acordou. Não pode mais aceitar TACs, pois promotores se julgam maiores que a lei. Quem já assinou se torna refém do MP. De que adianta falar que depois o que for aprovado vai valer? Quem vai pagar os custos de quem teve que destruir lavouras, para deixar recompor vegetação?
Decreto só resolveria se tornasse sem efeito todos os TACs assinados até agora,além de permitir que cartórios pudessem registrar escrituras sem averbação de RL. Será que isso seria possível? Seria como se o Brasil assumisse perante o mundo que não tem autoridade para governar. Que é tão insignificante que não tem moral para expor ao mundo seus 61% de vegetação nativa preservada.Que país se coloca como capacho para Ongs estrangeiras. Isso sim, seria vergonhoso para Brasil. Governo cobra investimentos, quer estoque regulador de etanol, quer ser celeiro do mundo e quer diminuir área plantada? É incoerência ou incompetência? Morre de medo de exigir que outros países preservem o que preservamos, ou recolham-se à sua insignificância e não cobrem de ninguém o que não podem fazer.Hora do basta. Ou sai o Código agora,ou não sai mais. Que levem os produtores rurais para a cadeia já que Lula e Minc os fizeram criminosos, e vá o governo importar alimentos dos países que desmataram tudo, porque precisam progredir. Deixe o Brasil virar mato, já que somos palhaços do mundo.Vamos virar índios, para deleite dos xiitas fundamentalistas que pregam preservação a todo custo, mas andam de carro,comem do bom e do melhor, se vestem,bebem vinho e comemoram os bolsos cheios. Pobre país rico.Só é rico no tamanho porque coragem não tem.
Ciro Siqueira disse…
Comentário enviado pelo leitor Fernando Penteado Cardoso:

Faltou à presidente um conselheiro que a orientasse para dizer a seus asseclas: " Os deputados sabem melhor doque nós as aspirações de seus representados produtores rurais e devem saber também o que é melhor para o país no presente e no futuro.
A questão está aberta à decisão parlamentar." Se o fizesse não se envolveria na atual enrascada.

Fernando Penteado Cardoso.
Eng. Agr. Sênior- ESALQ-USP 1936