Código Florestal no vestibular da Fuvest

Segue abaixo a íntegra da pergunta que caiu no vestibular da Fuvest sobre o Código Florestal. É uma questão discursiva que me deixou muito curioso para ver as respostas. Talvez seja possível fazer um tratado de sociologia sobre como a mídia e o jornalismo provinciano moldaram o cérebro de milhares de estudantes urbanos alheios aos dramas do campo. Eis a questão:

Há mais de 40 anos, a Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, conhecida como Código Florestal, estabeleceu no seu Artigo 1º: “As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem”.

Em pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em junho de 2011, para saber a opinião do cidadão brasileiro sobre a proposta de mudanças no Código Florestal, 85% dos entrevistados optaram por “priorizar a proteção das florestas e dos rios, mesmo que, em alguns casos, isto prejudique a produção agropecuária”; para 10%, deve-se “priorizar a produção agropecuária mesmo que, em
alguns casos, isto prejudique a proteção das florestas e dos rios”; 5% não sabem.

a) O Artigo 1º da Lei nº 4.771 indica a existência de um conflito, de natureza social, que justifica a necessidade da norma legal. Que conflito é esse? Explique.

b) Analise os resultados da pesquisa feita pelo Instituto Datafolha, acima expostos, relacionando-os com o Artigo 1º da Lei nº 4.771.


Embora faça referência a uma pesquisa fajuta, encomendada por uma ONG a um instituto de pesquisa sem escrúpulo, a pergunta do Fuvest lança no ar a oposição, encubada (e desnecessária) no Código Florestal vigente, entre produção rural e preservação ambiental.

É uma pergunta inteligente.

Saiba mais sobre a pesquisa comprada pelas ONGs junto ao Datafolha no blog do Reinaldo Azevedo e por mim mesmo aqui no blog.

Comentários

luis carlos disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
luis carlos disse…
com certeza so as ong's e pessoas de boa fé com grande vinculu no senado para nos ajudar a vencer essa queda de braço contra os 'poderosos do pais' ( que estao por traz dos agropecuarista e do senado), com certeza eles estão pensando na AUTO INSUSTENTABILIDADE do nosso país.
Ciro Siqueira disse…
Eis aí o maniqueísmo bocó que esconde a razão nesse debate.
Tiago disse…
Meu deus... ai meus olhos!... não sei se é pior ler o conteúdo do que foi escrito nos primeiros comentários ou como foram escritos. "Com certeza a mioria da polulação vai estar junto com os ambientalistas, e nao junto aos agropecuaristas, que so estão pensando em aumentar a procutividade,lucrar, e exporta mais. " Me pergunto como podem ter ficado tão cegos a ponto de considerar aumentar a produtividade como algo ruim.
Ciro Siqueira disse…
Não sei quem é que está dizendo que aumento de produtividade é algo ruim.
Tão vem não sei onde a "mioria" da população vai "fica". Uma coisa eu sei, a maioria da população vai ficar bem alimentada pelo esforço e pelo trabalho do homem do campo, mesmo o homem do campo sendo perseguido por gente cega pelo fundamentalismo de suas opiniões.
luis carlos disse…
com certeza o fato de prejudicar a produção agropecuaria nao existe, pois quem esta por traz no finaciamento agropecuario nao e um simples cidadão de baixa renda e sim os cartolas, os poderos e o alto escalão brasileiro, e de qulaquer jeito a população vai ter continuar comprando alimentos carisimos para sustentar a sua familia, ( sempre vai existir a lei da oferta e procura, MAIS TEMOS QUE PENSAR NISSO DE UM JEITO AUTOSUSTENTAVEL).
Ciro Siqueira disse…
Com a certeza de quem?

A minha, que vivo entre produtores rurais, que trabalho com gente que tem que cumprir o Código Florestal, diz que prejudica.