A retomada necessária

O debate sobre o Código Florestal está deslocado. Grande parte do êxito obtido até agora no processo de renovação do Código Florestal deveu-se ao fato do Deputado Aldo Rebelo ter conseguido manter no centro do debate os pontos e argumentos que motivaram a mudança na lei. Na qualidade de relator da matéria na Câmara Aldo Rebelo não pode ser ignorado pelos meios de comunicação e soube usar esse protagonismo ancorando a discussão nos pontos realmente relevantes como a incapacidade de pequenos produtores se adequarem à lei, a retroatividade imoral de dispositivos de Código, o fato da lei vigente impôr a destruição de áreas agrícolas e por aí vai. Quando adequadamente informada desses problemas reais a sociedade vacilou no apoio irrestrito que costuma conceder ao movimento ambiental normal e equivocadamente aceito como um movimento "do bem" e por isso merecedor de confiança absoluta.

Entretanto, nos dias que se seguiram a aprovação do texto na Câmara, o movimento ambiental aproveitou a saída de cena do Deputado Aldo Rebelo e o consequente desaparecimento da âncora que centrava o debate nos pontos fundamentais para inundar o tema de sofismas. O trabalho pseudo científico do IPEA, a pesquisa de opinião do DATAFOLHA, o uso político de instituições científicas como a SBPC, os artigos de jornal cuja pauta é ditada por gente do movimento ambiental e a capacidade das ONGs de usarem as redes sociais na internet criaram um ambiente de desinformação que deslocou o debate daqueles pontos factuais que motivaram o processo de reforma da lei para um pântano retórico de informações distorcidas.

Um debate travado nesse ambiente de desinformação favorece aqueles que não se importam em criar obstáculos desnecessários à agricultura nacional.

E fundamental que a partir da segunda quinzena de agosto, quando devem ser retomados os debates sobre o Código Florestal no Senado, haja um esforço coordenado para trazer de volta o debate para os pontos fundamentais. Minha sugestão é que as instituições que defendem o setor rural usem (e abusem) dos espaços que dispõe nos diversos meios de comunicação para esse esforço coordenado. Talvez seja possível usar a articulação já em curso na RedeAgro e no movimento SouAgro para esse fim. Certamente há entre aqueles que defendem uma reforma no Código Florestal pessoas com credenciais suficientes para acessarem fóruns de debates como as revistas Science e Nature. Também esses canais precisam ser explorados. É preciso encontrar meios de disponibilizar informações aos jornalistas estrangeiros, em inglês, sobre a necessidade e as razões para a reforma do Código Florestal.

Não creio que seja possível rivalizar os fundamentalistas de meio ambiente nas redes sociais. Produtor rural não tem twitter. Essa mobilização virtual pode ser entretanto facilmente sobrepujada com mobilizações reais como a que reuniu 20 mil produtores rurais em Brasília antes da votação do Relatório Rebelo na Câmara. É uma atitude equivocada prescindir dessa força política nesse momento. Nesse ponto sugiro destacar pessoas que peregrinem de feira em feira, de exposição agropecuária em exposição agropecuária, de leilão em leilão explicando a situação aos produtores rurais e alertando-os para uma eventual necessidade de mobilizações e manifestações de produtores. Essas grandes manifestações nem precisam acontecer, mas é preciso passar a ideia de que o setor pode ir novamente às ruas se for necessário. Apenas essa possibilidade já trará dividendos políticos.

É necessário lembrar finalmente que o êxito nessa jornada será mais difícil se estivermos divididos. O momento exige que deixemos de lado interesses pessoais imediatos, lucros pessoais momentâneos em nome do objetivo geral, maior, mais nobre e mais importante de encontrarmos uma solução para a preservação ambiental que não destrua a agricultura no processo como pretende o fundamentalismo ambiental. A competição natural entre canis de TV voltados ao povo do campo, a disputa por acesso em sites e blogs ou por espaço político no cenário nacional deve ser vista sob a perspectiva de quem precisa defender todo o setor rural do acinte de um inimigo comum, o fundamentalismo ambiental.

Estamos na calmaria do olho de um imenso furacão. Não é hora para descanso ou diferenças pessoais. É hora de preparar a batalha que se aproxima.

Comentários

Bgood disse…
Esse site é o Jornalismo mais tendencioso que já vi em minha vida. Bela Porcaria!!
A mudança no Código Florestal seria mais aceita pelos "ambientalistas" se a opniao dos que a querem, como a dos aqui se expressam, nao fosse tao estremista e radical.
O dia que vocês e a classe "ambientalista" deixarem de agir nos extremos, essa discussao quem sabe sai do lugar..

E quanto à citaçao do Ministro da Agricultura do governo Lula.. em nada me impressiona.. se ele sabe que a produçao Rural é cunho nao só economica como Social, tinha promovido uma reforma Agrária no Brasil, aí sim demonstraria seu interesse para com o povo, e nao com a geraçao de divisas através da Exportaçao de produtos agrícolas.
Grande maioria dos alimentos vem de pequenas propriedades. Pais desenvolvido?? Em seus milhoes de KM quadrados, 85% da populaçao brasileira vive em área urbana. Em 300mil KM quadrados, 75% de 80 milhoes de alemaos vivem em área Urbana. Está faltando Terra a ser distribuida no Brasil??? Acho que nao.. E que país a Vida das pessoas é melhor?? Nao precisa nem responder né...
Abraço grande amigo
Bgood disse…
Sr. Proprietário do blog.. nao esqueça de aprovar meu comentário.
Ciro Siqueira disse…
1. Esse não é um site de jornalismo, é um blog de opinião. 2. Não sou seu amigo. 3. Não esqueço jamais de publicar comentários não caluniosos. 4. A que radicalismo vc se refere, ao meu o ao seu?
Eu não acho que este blog seja tendencioso. Ele é o que se propõe a ser. Sou produtor rural, agrônomo e gosto muito das coisas que o autor escreve, tanto que muitas vezes replico no meu próprio blog.
O código florestal deve ser aprovado, sim. Nós, produtores, estamos cansados dessa pouca vergonha que é o troca troca da legislação ambiental. Precisamos trabalhar e para isso não precisamos de gente radival, verdinhos metidos a besta se metendo aonde não entendem.

Continue seu trabalho, Ciro.
E senhor Anônimo, para criticar, tem que colocar a cara.


Obrigado.

Francisco Cagliari
Flávia e Wagner disse…
Bgood, talvez tenha razão, talvez sejamos radicais..., mas, estamos no olho do furacão e pertencemos aos 15% que, se essa lei burra (4771/65) não for racionalizada, iremos também viver como você, na cidade, mas não em um bairro chique, talvez numa favelinha nova em alguma encosta carente de novas prostitutas e traficantes.

O que combatemos é o mesmo que você, penso. Precisamos mudar o destino que estão querendo nos impor - consumidores de tecnologia, exportadores de commodities e seqüestradores de carbonos emitidos no primeiro mundo.

Wagner Salles
Eduardosman disse…
#SouOgro, #SouTroxa, #SomosImbecisdamesmaTerra