Falta de ética na cobertura "jornalística" do Código Florestal

As "jornalistas" Andrea Vialli e Afra Balazina, do jornal O Estado de S. Paulo, acabam de publicar na edição de domingo o seguinte: "As mudanças nas regras de preservação de mata nativa nas propriedades rurais, que constam do novo Código Florestal aprovado pela Câmara, ampliam em 22 milhões de hectares a possibilidade de desmatamento no País". Segundo a reportagem a conta leva em consideração a dispensa de recuperação da reserva legal.

Percebam a traquinagem e ligeireza das duas jornalistas. Elas confundem propositalmente dispensa de recuperação com autorização de desmatamento.



O texto de Aldo Rebelo dispensa de recuperação áreas que JÁ FORAM DESMATADAS, algumas das quais há séculos. Isso implica que áreas que estão produzindo alimentos hoje não precisarão mais serem REFLORESTADAS. Isso é dispensa de recuperação. As duas "jornalistas" dizem que isso é mesma coisa que abrir a "possibilidade de desmatamento". Isso é um sofisma.

A conta feita pelo professor Gerd Spavorek, cujos números são propositalmente mal interpretados pelas duas jornalistas, aponta que 22 milhões de hectares JÁ DESMATADOS não precisarão serem recuperados. Gerd nunca disse, pelo menos em nenhuma das conversas que tive como ele, que estava se liberando novos desmatamento. Estou tentando contato com ele para verificar se ele disse mesmo o que as duas jornalistas dizem que ele disse.

Peço a todos um momento de reflexão. Se o verdismo está certo ao defender a munutenção do texto original do Código Florestal, por que recorrer a esses expedientes? Por outro lado, se houve um conselho de ética no jornalismo, ele aprovaria esse tipo de sofisma numa edição de domingo de um jonral com o claro objetivo de manipular a opinião pública?

Caros, salvar o planeta, o meio ambiente, são objetivos nobres, mas quanto começamos a correr atrás de objetivos nobres com mentiras, sofismas, manipulação de massas, nós corremos sério risco de nos tornamos tiramos. Foi a esses expedientes que Hitler recorreu usando Goebbels para conseguir apoio do povo alemão a suas loucuras, foi a esses expedientes que Bush recorreu para conseguir apoio do povo americano a invasão do Iraque. Isso não está certo. A preservação ambiental é importante demais, necessária demais, para ser feita dessa forma sem escrúpulos. Se o relatório do Aldo é ruim, não é necessário mentir para derrubá-lo.

Clique aqui e veja o "sofisma" que o Estadão permitiu que fosse publicado em suas páginas.

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Comentários

Ciro Siqueira disse…
Via twitter a jornalista Andrea Vialli tentou se explicar dizendo:

A quem interessar: o cálculo do prof. Gerd Sparovek da USP, que apontam para a possibilidade de desmate legal de 22 milhões de hectares...levam em conta: 1- a contabilização de RL com APPs; 2- a dispensa de RL nas propriedades de até 4 módulos fiscais; e finalmente 3- a possibilidade de reduzir, para fins de regularização, a exigência de RL na Amazônia de 80% para 50%. Tudo previsto no novo Código. Esses três fatores, somados, ampliam possibilidade de desmatamento legal em 22 milhões de hectares, o equivalente ao Estado do Paraná.
Ciro Siqueira disse…
Ela tentou explicar o inexplicável.
A redução da RL na Amazônia de 80% para 50% não é novidade do Relatório do Aldo. Ela está prevista no Código Florestal de 1965, na lei vigente.
Os fatores que a jornalistas cita e que foram mensurados pelo Prof. Sparovek quando somados apontam a área JÁ DESMATADA cuja recuperação será DISPENSADA de acordo com texto aprovado na Câmara. Não aponta desmatamento novo como ela afirma na matéria.
Luiz Prado disse…
É burrice MESMO. Jornalistinhas de dois mil réis.