Sociedade dos cientistas mortos

Caros, peço desculpas pelo ligeiro sumiço. Foi por um bom motivo. Fui a Brasília ver com os meus próprios olhos uma confraria de acadêmicos esmerilhando sua credibilidade fazendo política.

Sexta feira passada, quando "vazou" o relatório da Academia Brasileira de Ciência (ABC) e da Sociedade Brasileira para a Conservação dos Paradigmas (SBCP), os ambientalistas já haviam armado um seminário na Câmara para expor a posição dos cientistas. O fato do seminário ter sido planejado antes do relatório ser divulgado evidenciava que as ONGs, e apenas elas, participaram da elaboração do texto e que o resultado favorecia seu lobby.

Isso me deixou perplexo. Se alguém me contasse que os cientistas brasileiros permitiriam que sua credibilidade fosse explorada politicamente por um lobby eu não acreditaria. Tive que ver com os meus próprios olhos.


Saí da minha casa, no interior do Pará, segunda-feira à noite, dirigi por mais de 300 km, peguei um avião em Belém na madrugada e vi o amanhecer de terça feira em Brasília. Fui ver o seminário dos ambientalistas. Assisti atentamente o espetáculo. Pareceu um circo.

Vi o Sr. Ricardo Rodrigues, da Esalq, usando dados e conclusões, ainda no prelo, produzidos pela The Nature Conservancy, uma ONG, como se fossem ciência, o vi apresentar como ciência a comparação entre receitas obtidas no presente e no futuro sem cálculo financeiro; vi o André Lima, um advogado do Ipam, uma ONG, botar conclusões na boca de Antonio Renato Nobre; vi o pesquisador Carlos Nobre, do Inpe, usar fotos como evidência científica e dizer "nem precisava de ciência, é só olhar". Se me contassem eu jamais acreditaria.

Vi Paulo Adário, do Greenpeace, uma ONG, bradar a importância das conclusões cientificas que corroboram com os interesses da ONG dele. Vi J.P. Capobiando, o Capô, a sombra da Marina Silva, dizer que o relatório de Aldo Rebelo, que tramita no Legislativo, não é democrático e que o Código Florestal vigente, herança da ditadura militar e com redação dada por medida provisória, é que é democrático. Se me contassem eu não acreditaria. Tive que ver.

Fiquei meio deprimido vendo nossos cientistas expostos num picadeiro de circo como bestas exóticas para o entretenimento de algumas dezenas de pessoas que há muito abriram mão de construir as próprias conclusões. Senti vergonha de ter tentado ser um acadêmico fazendo mestrado e fiquei contente por não ter tentado fazer doutorado.

Conversei com o Professor Gerd Spavorek. Tirei várias dúvidas técnicas que tinha sobre o trabalho dele. Durante a conversa Spavorek me disse que considerava falta de ética profissional apresentar conclusões de trabalhos específicos extrapolando-as como se elas pudessem explicar o mundo. Perguntei a ele se ele havia visto esse tipo de falta de ética durante o seminário. Ele me olhou e disse: "isso eu não vou te responder". Sorri. Acredito na honestidade e seriedade do Prof. Spavorek.

Ao sair do seminário fui até o gabinete do Deputado Aldo Rebelo. Ele me recebeu. Conversamos por alguns minutos. Contei a ele o que acabava de ter visto no seminário e que estava meio deprimido com o desbunde e as imposturas científicas que vi; disse-lhe que jamais poderia imaginar que professores com décadas de atividade acadêmica se deixariam usar daquela maneira abjeta e que enfrentar adversários dessa forma desonestos não era uma briga justa. Aldo Rebelo sorriu.

Sorriu e me disse que não havia outros adversários além daqueles, nem outra briga além daquela, e que era nosso dever enfrentá-los. Disse que já havia sido muito pior. Lembrou o que Pedro Teixeira teve que fazer para garantir ao Brasil a posse da Amazônia, lembrou o que os bandeirantes fizeram para garantir a ocupação dos sertões que hoje são o maior celeiro do Brasil.

Aldo Rebelo é um grande homem. Em dez minutos de conversa ele devolveu meu ânimo. Afinal, naquele dia, quem vendeu a alma não fui eu.

Comentários

Ana disse…
A Agricultura Brasileira está sendo tratada com descaso por pessoas inexperientes, maquiavélicas e exploradoras de oportunidades. O Brasil não precisa e nem pode conviver com esse circo para não perder a credibilidade.A produção de alimentos é assunto sério e os produtores não podem ser vistos como palhaços, pois são as bases de sustentação do país.O Brasil realmente precisa de um ministério ambiental, que ao invés de ajudar a solucionar os problemas, criam outros mais,prejudicando o progresso , criando entraves, baseados em discursos ocos sem sustentação? Se em 1932 fizeram piada porque não encontraram uma definição para floresta, ela continua sendo piada, cuja definição encontra-se no bolso de desonestos. Assim, tudo indica que o ambiental ismo nasceu mesmo de uma piada e piada não pode ser levada a sério. Não seria melhor cortar logo o mal pela raiz?
Ana disse…
A Agricultura Brasileira está sendo tratada com descaso por pessoas inexperientes, maquiavélicas e exploradoras de oportunidades. O Brasil não precisa e nem pode conviver com esse circo para não perder a credibilidade.A produção de alimentos é assunto sério e os produtores não podem ser vistos como palhaços, pois são as bases de sustentação do país.O Brasil realmente precisa de um ministério ambiental, que ao invés de ajudar a solucionar os problemas, criam outros mais,prejudicando o progresso , criando entraves, baseados em discursos ocos sem sustentação? Se em 1932 fizeram piada porque não encontraram uma definição para floresta, ela continua sendo piada, cuja definição encontra-se no bolso de desonestos. Assim, tudo indica que o ambiental ismo nasceu mesmo de uma piada e piada não pode ser levada a sério. Não seria melhor cortar logo o mal pela raiz?
egon disse…
è assim que tem que ser .particpar e divulgar os verdadeiros interesses que estão contidos nessas "pseudo reuniões".Parabns e continue assim empenhado , pois o Brasil é é maior que tudo isso pois é feito de um povo forte.
QUAL É O OBJETIVO ?

Se o objetivo não é buscar a melhor solução, mas sim defender algum interesse de uma parcela da Sociedade, então o debate é inútil, pois sempre é possível, para qualquer lado, defender seu interesse, usando palavras e teses complicadas, subjetivas, mas com aparência técnica-científica ou do que for conveniente, levando o debate ao impasse. Neste caso vai vencer o mais “esperto” ou o mais forte que, no final, vai impor o seu interesse.

Mesmo não havendo nenhum interesse particular, se o objetivo é radicalizar, preservar tudo a qualquer custo inclusive com regras Socialmente Injustas, logo Não Sustentáveis, aplicando a regra de que os fins justificam os meios, então o debate também é inútil e vai ao impasse.

Nestes casos, cabe apenas lembrar a frase do Jurista francês Georges Ripert, que está postada no seu blog "Quando o direito ignora a realidade, a realidade se vinga ignorando o direito."

Aí, no final, o objetivo da Preservação não vai ser alcançado, pois nem regimes absolutistas conseguiram impor Injustiças por muito tempo. A região da Billings/Guarapiranga em São Paulo, é exemplo do que acontece quando a Legislação é irracional, excessivamente restritiva e ignora a realidade, ou seja Ocupação descontrolada que leva à Devastação total.

Porém, se o objetivo é realmente preservar de forma justa, sustentável e eficaz, e, os lados estiverem de boa fé, buscando achar a melhor solução para Toda a Sociedade, então vale a pena continuar o debate.

Se tudo fosse assim, o mundo seria uma maravilha.

Infelizmente muitos são radicais ou defendem interesses particulares, injustamente, logo o mundo não é uma maravilha.

Os que estão de boa fé devem perseverar, mas, neste caso não basta a boa fé, pois é necessário ser mais competente do que os que estão de má fé.

Sds,

Vinícius Nardi, por uma Preservação e Desenvolvimento Justas, Sustentáveis e Eficientes.
Someone disse…
Ter que depender das palavras de um comunista para aliviar a tristeza é a prova cabal e completa que chegamos ao fundo do poço. O Brasil acabou. Agora pertecence ass comunas e ponto final!
Fendel disse…
A babaquice já começa com o tal "desmatamento zero".
É uma nova religião, bêsta igual as demais.