Votação do Código Florestal e democracia, qual a relação?

O Líder do Governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza, anunciou um acordo para a votação de um Requerimento de Urgência para a proposta de modernização do Código Florestal. O requerimento deve ser votado na próxima terça-feira (dia 14).

A maioria dos deputados é favorável à votação do Requerimento. O líder do PT, deputado Fernando Ferro, que vem sendo cotado para o ministério de ½ ambiente, vem tentando direcionar o partido contra o Código Florestal, mas enfrenta forte oposição dentro da base do governo. De olho no M½A, Ferro afirma que “a bancada do PT já tirou posição contra, mas o resto da base é favorável”.

Quase todos os líderes partidários assinaram o Requerimento de Urgência: deputados Paulo Bornhausen (DEM), João Almeida (PSDB), Sandro Mabel (PR), João Pizzolatti (PP), Paulo Pereira da Silva (PDT), Jovair Arantes (PTB), Hugo Leal (PSC), Fernando Coruja (PPS), Henrique Eduardo Alves (PMDB) e a deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB). Estas lideranças representam 374 parlamentares, mais e 70% da casa. Os únicos líderes contrários a votação do Requerimento são os deputados Edson Duarte (líder do PV), Ivan Valente (líder do PSOL) e Fernando Ferro (líder do PT) cuja decisão reflete os interesses do governo e não da base.

O Palácio do Planalto aceita a votação do Requerimento de Urgência, mas o mérito fica para 2011. O Deputado Cândido Vaccarezza disse ontem ao G1 que o acordo para aprovar a urgência foi a unica forma que o governo encontrou para evitar a aprovação do mérito já em 2010. Apesar da gritaria do fundamentalismo ambiental minoritário, Vaccarezza reconheceu o movimento político majoritário que há no Congresso para se resolver os excessos do Código Florestal e tentou tirar os ambientalistas do seu pé dizendo que há na Câmara mais de 100 projetos com regime de urgência aprovado e que nunca foram votados.

Vaccarezza tem razão. O governo tenta dar um "passa moleque" nos produtores rurais enquanto o líder o PT, deputado Fernando Ferro, sabota o apoio do partido de olho no Ministério de ½ ambiente.

Acorda produtor.

Comentários

Luiz Prado disse…
QUANTO VOTOS TÊM MESMO O PV E O PSOL?

FORA ISSO, É INTERESSANTE QUE O "GOVERNO", ISTO É, O GRUPO ATUALMENTE NO PALÁCIO DO PLANALTO, NÃO CONSIGA VER A RELAÇÃO ENTRE ESSE CÓDIGO (QUE PODERIA SER JOGADO NO LIXO) E A PRODUÇÃO DE ALIMENTOS. AINDA ACHAM QUE VÃO RESOLVER ALGUMA COISA COM A FARSA DA EXCLUSÃO DO "PEQUENO", "FAMILIAR" DAS EXIGÊNCIAS DO CÓDIGO.
Petterson disse…
Caro Ciro,

você não acha que o constante adiamento da votação, o debate público que decorre disso, e a crescente organização daqueles que trabalham no campo, têm potencialmente o efeito de depurar o código ainda mais no sentido de uma lei mais racional? Em outras palavras, será que ganhar tempo não é, na verdade, ruim para o lobby ambientalista?

Eu tenho um pouquinho dessa impressão, mas claramente vc entende muito mais do assunto. Há 3 anos o lobby verde tinha um poder bem maior, que tem se corroído, e tenderá a se corroer mais com Dilma no poder.
Ciro Siqueira disse…
O Código Florestal é um gigante de pés de barro, Petterson. Nesse sentido, quanto mais se debater o tema, mais as fissuras no paragima aparecemm, e não não fissuras, são voçorocas.
Mas acontece que o fundamentalismo ambiental não tem escrúpulo de criar sofismas para enganar a sociedade urbana que não entende nada de produção rural, confia nos verdes e desconfia dos estigamatizados "ruralistas".
Nesse ambiente, onde até mesmo a ciência assume como verdade sem verificar alguns dos sofismas verdes, o debate é torto, viesado. A verdade tende a sumir com as cortinas de fumaça jogadas pelos verdes.
É por essas e outras que o símbolo deste blogg é a gravura do Goia que você vê logo de cara: o sono da razão produz monstros.
Há que se admirar a capacidade de mobilização dos falsos ambientalistas e a inteligência em criar fatos que repercutem na mídia, como a ridícula campanha do “xixi no banho” que economiza a água da descarga, mas contamina o box necessitando muito mais água para descontaminá-lo, mas é um sucesso na mídia não muito inteligente.

Agora, na COP 16 em Cancún, sob as vistas da imprensa mundial, deram à senadora Kátia Abreu o prêmio Motosserra de Ouro e usaram o “Papai Noel” para entregar mudas de árvores com dois cartazes, em português e inglês, onde se lia “Mudar o Código Florestal = Um Natal sem árvores”.

Será que os ditos ruralistas não tem um pouco de inteligência e imaginação para dar aos falsos ambientalistas um “prêmio” de exterminadores da alimentação, ou de exterminadores dos pobres, ou de que fazem os pobres pagar pela preservação necessária para compensar a devastação causada pelos consumo dos médios e ricos?

E é muito, mas muito grande, a hipocrisia dos falsos ambientalistas. Eles deformaram e radicalizaram o CF (Código Florestal), com MPs, decretos, resoluções, etc, ditatorialmente, sem nenhuma participação da sociedade, mas conseguem que a imprensa os apoie na protelação da votação do novo CF alegando que a sociedade precisa participar mais, ignorando o fato da comissão do novo CF ter percorrido o Brasil todo fazendo audiências públicas e ter ouvido todo mundo.

Na COP 15 e na COP 16, nenhum país assumiu metas de redução de emissões de gases-estufa, pois muitos cientistas sérios já demonstraram que estas emissões não são responsáveis pelo aquecimento global. Ao contrário, nos próximos anos ocorrerá um resfriamento global pelo afastamento da órbita da Terra em torno do Sol.

Totalmente na contramão, os falsos ambientalistas, de forma autoritária e sem nenhuma participação da sociedade, em nome do Brasil impuseram metas de redução “espontâneas”.

Isto é simplesmente absurdo, mas a imprensa e os ruralistas ficam coniventes.

Agora, com a maior “cara de pau”, usam a própria arbitrariedade como se fosse a coisa mais normal do mundo, para justificar outra arbitrariedade que é impor a protelação da votação do novo CF alegando que o novo CF comprometeria as arbitrárias metas que eles sózinhos impuseram ao Brasil.

Esta é a “democracia” dos falsos ambientalistas.

Mas temos que reconhecer que eles são muito competentes e que as suas vítimas são muito incompetentes.