Conversa com o Deputado Aldo Rebelo

Caros, tive hoje, em Belém, um longo bate papo com o Deputado Aldo Rebelo. A conversa aconteceu no Hotel Hilton após a uma palestra proferida pelo Deputado no I encontro de Engenheiros Agrônomos da Amazônia.
Falamos sobre a possibilidade de aprovação do Relatório Rebelo na Câmara, sobre tempos e movimentos, sobre o comprometimento do governo federal, o atual e o futuro, com o tema, sobre melhoramentos no relatório, sobre estratégias para combater os interesses escusos pintados de verde por algumas ONGs, sobre o Lundu, o Carimbó, as propriedades organolépticas da caipiroska de Açaí, a luta do município de Paragominas e da Vale para viabilizarem seus projetos ambientais apesar do Código Florestal e sobre a distribuição geográfica dos cearences mundo a fora, notadamente Estados Unidos e China.

Foi uma papo muito agradável e divertido.

Aldo Rebelo reafirmou que ambientalista não tem voto, o "clamor" que se lê na imprensa não tem eco na sociedade. Nos bairros, nas periferias das grandes cidades as pessoas estão preocupadas com outros temas mais urgentes, o ambientalismo não é uma demanda social. Aldo está certo de que seu relatório será aprovado na Câmara sem alterações. Segundo ele, apenas PV e PSol, que juntos têm meia dúzia de três ou quatro deputados, são contra. Todos os outros partidos são favoráveis ao relatório.

Eu disse a ele o que penso do relatório dele. Disse ele que, na minha leitura, o relatório não resolve o problema. A lei continuará empurrando o ônus da preservação ambiental para o produtor rural e que isso está errado. Ele me disse que só eu penso isso. Todas as pessoas com as quais ele conversou não pensam assim.

Depois de anos sem saída, apanhado dos ambientalistas, o setor rural está entregue nas mãos de Aldo Rebelo. Aldo Rebelo é hoje uma espécie de Salvador dos produtores rurais. O Salvador improvável. Eu acho que se Aldo condicionar a mudança no Código Florestal a uma reforma agrária geral e irrestrita é capaz dos produtores o apoiarem. Ele tem razão quando diz que o setor produtivo rural o apóia incondicionalamente, mas isso não significa que eu esteja errado.

Em todo caso foi um excelente bate papo.

Comentários

É obvio que você está certo e Aldo está errado.

É verdade incontestável que o ônus da Preservação fica nas costas de quem tem alguma área preservada, que é punido por ter preservado.

Também é verdade incontestável que os reais causadores da devastação e da poluição são os consumidores cuja maioria está nos centros urbanos, os quais nada preservam em suas propriedades, nunca obedeceram e continuam não obedecendo as Leis Ambientais, com a conivência das autoridades e dos ambientalistas.

Outra verdade é que querem recompor áreas degradadas apenas nas áreas rurais, sem exigir o mesmo das propriedades urbanas, embora as Leis Ambientais não façam diferença entre áreas urbanas e rurais.

Também é verdade incontestável que isto é SOCIALMENTE INJUSTO, portanto INSUSTENTÁVEL.

O mínimo que se pode fazer é pagar um valor justo pelos serviços ambientais prestados pelas áreas preservadas.

Só se estiver de má fé ou for completamente desinformado alguém pode ir contra estas verdades incontestáveis.

Vinícius Nardi, por uma preservação Justa e Sustentável
Infelizmente, a verdade é que o Aldo teve menos votos nesta eleição de 2010 do que teve na eleição anterior de 2006.

Ou não é verdade que os produtores rurais apoiam o Aldo ou então eles são tão desmobilizados e alienados que não votam em quem apoiam.

Vinicius Nardi, por uma Preservação Justa e Sustentável.
Ciro Siqueira disse…
Caro Vinicius,

Também toquei nesse assunto da redução do número de votos do deputado. Algumas pessoas dizem que a votação dele reduziu por causa da atuação na questão do Código Florestal.
Aldo contesta essa afirmação. Na eleição de 2006 ele era presidente da Câmara, tinha substituída a presidência desastrosa do Severino Cavalcanti e tinha uma exposição de mídia muito maior do que teve na eleição de 2010. A votação que ele teve em 2006 foi atipicamente elevada, daí a redução.
Aldo me disse também que o número de votos dele nos centros urbanos aumentou em vez de diminuir como esperado se a acusação das ONGs estivesse correta. Ele contou que frenquentemente era parada nas ruas por profissionais liberais, sem relação com o campo, que o parabenizavam pela coragem de peitar as grandes ONGs interncionais.
Aldo teve mais votos do que Carlos Minc, que era ministro do meio ambiente.
Caro Ciro,

O Estado de SP teve 21.249.962 votos válidos para deputado Federal.

Aldo Rebelo teve 132.109 votos (+- 30.000 a menos do que em 2006) que corresponde a 0,62% do total de votos válidos.

Será que SP só tem 0,62% de produtores rurais e de urbanos que dependem das atividades rurais?

Na urna onde eu voto, onde a maioria é ligada a produtores rurais pobres e está sendo severamente prejudicada pelas leis Ambientais Injustas, ele só teve 4 votos sendo um deles o meu.

Infelizmente isto demonstra a total alienação e falta de mobilização dos produtores rurais.

Como dizia o Charinha, quem não se comunica se estrumbica.

Abs, Vinícius Nardi
Vanessa disse…
Oi Ciro!!
Ambientalismo sempre existiu (e em meu ponto de vista, sempre existirá). São movimentos que tem força e causa 'rumor', divulga uma idéia (nem que for toda atravessada, mas tem 'poder' de atingir as massas, e dessas, surgirem 'cabeças pensantes' que farão diferença - considero o Greenpeace uma espécie de imprensa 'verde', sabe, aos moldes da marrom da mídia que vive de fofocas de vidas de celebridades. Entra celebridade, vai celebridade, e ela lá, firme e forte!); Como vc mesmo disse " Nos bairros, nas periferias das grandes cidades" as pessoas (grande maioria) tem problemas mais urgentes. São relacionados a mobilidade e transporte, distribuição de renda e segurança publica. Isso é fato!
Conheço áreas que devem ser preservadas (por atuarem até como um patrimônio histórico) e não são. Outras, com incrível potencial de aproveitamento, e que tbm não são aproveitadas por unica falta de vontade de quem pode fazer isso!
Quanto a preservação ambiental. Como todo bom defendedor do direito ambiental sabe, ela é dever de todos! Assim como o conhecimento deve ser democratizado, a ciência acessível, e a qualidade de vida da população satisfatória. Sem governo nisso, não há nada que resista!! Não é só um lado que força a 'barra'! Ambientalista e Ruralistas defender seus pontos de vista. Nenhum aceita 'as crendices' do outro (é qse um fanatismo preconceituoso!). Aldo Rebelo não é o Salvador da produção rural, pq mesmo sem ele, ela persistiria. Aldo atuou como um 'menino levado' que jogo pedra na caixa de abelha. Pois bem, elas fazem mel, mas metem o ferrão!! Ai estamos. Código Florestal virou agora um jogo de interesses. É o típico, eu, eu, meu umbigo!!
E quem perde... é só o país.