Carta de um agricultor

Prezado Deputado Aldo Rebelo,

Sou pequeno cafeicultor na cidade de Serra Negra (Estado de São Paulo), herdei de meu falecido pai a propriedade, que herdou do meu avô, que começou a cultivar essa planta em 1910. O café é plantado no topo da montanha há 100 anos.

No meio da propriedade corre um córrego onde foram construídas há mais de 60 anos quatro casas de colonos e uma pequena igreja a menos de 30 metros do ribeirão, onde o mato já atingiu as laterais das casas e da igreja sem possibilidade de se proceder qualquer limpeza.

Rocei um pasto bem longe do ribeirão, contudo, foi localizado nesta área um olho d'água que brota do chão e, em vista disso, fui multado pelo antigo DEPRN em R$ 50.000,00, processado criminalmente pelo Ministério Público e a pequena área roçada está embargada.

Não tenho mais como explorar a pequena propriedade de 50 ha, pois no morro não se pode mais plantar o café; ao lado das casas não se pode roçar porque elas estão há menos de 30 metros do ribeirão e o pasto tem que ficar sujo porque em toda a região, há olho d’água, já que Serra Negra está assentada em rica bacia de água.

Além disso, tenho que reservar 20% da pequena propriedade, já comprometida com as APPs para reserva legal.

O único deputado que realmente percebeu o grave equívoco que contém o atual Código Florestal foi o senhor, que inclusive, tem refutado com maestria indagações de despreparados jornalistas e ambientalistas, que nunca plantaram sequer um pé de feijão.

Não vou me estender, porque tenho certeza, que o senhor deve ter recebido centenas de e-mails como esse.

Na verdade, transmito essa mensagem para declarar que eu, minha família e meeiros de café, vamos votar no senhor na próxima eleição para Deputado Federal, para que continue na luta pela reforma do Código Florestal que, como várias vezes disse, foi imposto com interesse claro de destruir a agricultura nacional.

Obrigado por defender essa classe, que até a pouco estava desprotegida e que conta com o seu talento, dedicação e trabalho para reformar esse estatuto que aniquilou quem trabalha no campo.

Conte com os nossos votos.

Atenciosamente,

Esta carta foi enviada por um cafeicultor ao Dep. Aldo Rebelo

Comentários

Ana disse…
Senhor Agricultor
Posso imaginar seu sofrimento. É lamentável que num estado em que se propaga o progresso, isso esteja acontecendo. Desonra a frase da nossa bandeira”Non ducor, duco”. Não sou conduzido, conduzo. Eu, também, como filha de agricultores digo-lhe que já não conduzimos nada, inverteram seu significado, de maneira que eles conduzem e nós somos conduzidos, como um povo escravizado, que sustenta um grupo que nos condena. Até quando agüentaremos?Até quando sufocaremos nossos gritos de dor num mundo movido a ideologias e modismos? Hoje, parece antiético falar que não apreciamos o verde, no entanto ninguém mais que nós amamos o verde. Amar o verde não é simplesmente levantar bandeiras e bradar palavras sem vida numa repetição que é à toa contestar. Amar o verde é acordar com os pássaros e galos, é amassar barro com os pés, é tomar sereno da manhã quando sai de casa e, à noite, ao voltar para casa. Amar o verde, é ser picado por insetos, é derramar o suor, é tomar chuva,é tomar sol.Amar o verde é plantar e cuidar com todo o sacrifício que a agricultura exige.Depois, esperar pela sorte para que a natureza ajude, caso contrário, toda a labuta é em vão. Quem ama o verde, interpreta a natureza e a ouve porque é ele quem convive com ela. Ninguém pode falar de algo baseado apenas em teoria. O agricultor tem as duas, teoria e prática. Estão invadindo nossas propriedades, mais que isso, estão tirando nosso o direito de posse. Isto tem um nome:”roubo”. A partir do momento que o proprietário começa a obedecer a ordens de outros, ele deixa de ser dono. Quem faz isso estampa seus rostos com sorrisos e promessas, e como num insulto, invadem nosso espaço e pedem nossos votos, porque nos tratam como palhaços. Como o senhor, também tive minha propriedade embargada. Vi meus bens perecerem pelo abandono,e como se não bastasse, pediram demolição da minha casa e da casa de minha netinha. No discurso político, reza-se construções como programas de “Minha casa, minha vida”, preza-se o direito ao menor, cria-se programa do “melhor caminho”, no entanto o melhor caminho não nos leva para o que é nosso. A minha casa e a casa da minha netinha já não existem mais.Quem fez isso, continua comandando, fazendo promessas, e quem me julgou nunca me viu.Tantos foram os amigos na hora de pedir votos, quando precisamos de orientação, os mesmos tornam-se surdos. Também, como o senhor, escrevi para o deputado Aldo Rebelo, e ele foi o único que me deu um retorno. O único. Procurei auxílio nos meios ambientes, uma forma de compensação, qualquer coisa que me livrasse dessa pressão, mas, para decepção, até o projeto foi indeferido, isso, para prolongar ainda mais a angústia. Mas ainda existem pessoas decentes, pessoas que como Aldo Rebelo ainda mantém em nós a chama da esperança.
Senhor agricultor, uno-me ao senhor, se não pela alegria, seja pela dor.
Ciro Siqueira disse…
Sr. Ciro, repasse, por favor, como comentário ao agricultor, pois acho que não consegui postar, com meus sentimentos

Senhor Agricultor

Posso imaginar seu sofrimento. É lamentável que num estado em que se propaga o progresso, isso esteja acontecendo. Desonra a frase da nossa bandeira”Non ducor, duco”. Não sou conduzido, conduzo. Eu, também, como filha de agricultores digo-lhe que já não conduzimos nada, inverteram seu significado, de maneira que eles conduzem e nós somos conduzidos, como um povo escravizado, que sustenta um grupo que nos condena. Até quando agüentaremos?Até quando sufocaremos nossos gritos de dor num mundo movido a ideologias e modismos? Hoje, parece antiético falar que não apreciamos o modismo verde, no entanto ninguém mais que nós amamos o verde. Amar o verde não é simplesmente levantar bandeiras e bradar palavras sem vida numa repetição que é à toa contestar. Amar o verde é acordar com os pássaros e galos, é amassar barro com os pés, é tomar sereno da manh ã quando sai de casa e, à noite, ao voltar para casa. Amar o verde, é ser picado por insetos, é derramar o suor, é tomar chuva,é tomar sol.Amar o verde é plantar e cuidar com todo o sacrifício que a agricultura exige.Depois, esperar pela sorte para que a natureza ajude, caso contrário, toda a labuta é em vão. Quem ama o verde, interpreta a natureza e a ouve porque é ele quem convive com ela. Ninguém pode falar de algo baseado apenas em teoria. O agricultor tem as duas, teoria e prática. Estão invadindo nossas propriedades, mais que isso, estão tirando nosso o direito de posse. Isto tem um nome:”roubo”. A partir do momento que o proprietário começa a obedecer a ordens de outros, ele deixa de ser dono. Quem faz isso estampa seus rostos com sorrisos e promessas, e como num insulto, invadem nosso espaço e pedem nossos votos, porque nos tratam como palhaços. Como o senhor, também tive minha propriedade embargada. Vi meus bens perecerem pelo abandono,e como se não bastasse, pediram demolição da minha casa e da casa de minha netinha. No discurso político, reza-se construções como programas de “Minha casa, minha vida”, preza-se o direito ao menor, cria-se programa do “melhor caminho”, no entanto o melhor caminho não nos leva para o que é nosso. A minha casa e a casa da minha netinha já não existem mais.Não eram mansões, mas eram frutos do que conseguimos conquistar através do esforço do próprio trabalho.Quem fez isso, continua comandando, fazendo promessas, e aqueles que me julgaram nunca me viram.Tantos foram os amigos na hora de pedir votos, quando precisamos de orientação, os mesmos tornam-se surdos. Também, como o senhor, escrevi para o deputado Aldo Rebelo, e ele foi o único que me deu um retorno. O único. Procurei auxílio nos meios ambientes, uma forma de c ompensação, qualquer coisa que me livrasse dessa pressão, mas, para decepção, até o projeto foi indeferido, isso, para prolongar ainda mais a angústia. Mas ainda existem pessoas decentes, pessoas que como Aldo Rebelo ainda mantém em nós a chama da esperança.

Senhor agricultor, uno-me ao senhor, se não pela alegria, seja pela dor.

Angélica
ELSON disse…
Li as duas histórias, e o sentimento é de INDIGNAÇÃO. Primeiro pela insensibilidade das nossas autoridades, depois pelo desrespeito a propriedade do homem simples do campo. Nas histórias duas as propriedades, uma com uma centena de anos na familia, que por força de uma lei retrograda deixou de produzir, e outra de lazer com objetivo de preservar e desfrutar da pequena produção e da paisagem, cujos donos foram esbulhados pelo Estado!!! É TRISTE SABER QUE AOS NOSSOS OLHOS DEVERIAM PROMOVER A JUSTIÇA, NÃO TEM SEQUER A RESPONSABILIDADE DE ESTUDAR "CASO A CASO".
Luiz Henrique disse…
Existe um sentimento, ou melhor, um pensamento que isto não me atinge, esta acontecendo com o outro, e fica este processo de consentimento mudo, mas quando nos atingir, não terá quem nos defenda, estaremos sós, como já ficarão e ficam muitos neste país. SÓ A UNIÃO PODERA NOS SALVAR!
Ana disse…
Lazer é uma palavra fora de cogitação,dentro deste estado de escravidão.Enquanto agricultores não podem produzir em topos de morro,ou ter um ranchinho à beira da represa, o outro pode ter seu chalé no topo da montanha ou seu apartamento de praia.Somente com união, para mudar esse sistema corrompido.
Luiz Prado disse…
Com a já usual covardia e/ou venalidade, o MP não vai em cima das grandes produtoras de madeira para a fabricação de celulose, e nem em cima do poder público para saber onde foram parar os rios de dinheiro de compensações ambientais.
Ana disse…
Lamentável também saber que a decisão tomada pela justiça não é igual para todos. Imagino que se não pode para um, não pode para todos que estejam em situações irregulares.Sobra aquele sentimento:"Por que só comigo?"