No último post passei a informação de que não houve reunião da comissão especial do código floresta nesta semana. A informação não está correta. A comissão especial se reunião fora da câmara federal, na assembléia legislativa de Mato Grosso.
Os parlamentares ouviram as queixas de sempre do setor produtivo, mas duas coisas chamaram a atenção. Blairo Maggi voltou a defender a redução da Reserva Legal no seu estado. O governador havia dado algumas declarações de que "do jeito que estava, estava bom". Deve ter sofrido duras críticas da sua base de apoio e parece ter recuado. Outro ponto digno de nota foi a retomada do velho anseio do pessoal de Mato Grosso em sair da Amazônia Legal. Ser amazônida é um droga.
Semana passada, antes de viajar, li uma reportagem do Jornal do Brasil dando conta de que o município de Marcelândia, no Mato Grosso, estava se tornando um município ecológico. As razões: o município passou de integrante da lista de maiores dematadores da Amazônia para desmatamento zero em 2008.
Como?
O Ibama e a Força Nacional de segurança começaram a visitar regularmente a cidade desde 2005, dando botinadas e fechando as serrarias ilegais da cidade, quase todas. A operação de salvamento do mundo arrebentou a economia de Marcelândia. O prefeito Adalberto Navair Diamante acredita que “a partir de 2010 haverá uma modesta retomada no desenvolvimento”, não sabe muito bem como. Dos 25 mil moradores apenas 12 mil continuam em Marcelândia. Cerca de 13 mil amazônidas foram embora.
Isso para mim é expurgo. O ambientalismo conseguiu junto à opinião pública se cobrir com uma espécie de manto de absolutismo moral. Tudo o que eles fazem, dizem ou escrevem, por mais absurdo que seja, é visto com benevolência, de forma acrítica. A reportagem do Jornal do Brasil noticiou o expurgo achando lindo a conversão de Marcelândia para o bem. Isso não é certo.
Novamente, não é uma questão de defender o que as serrarias ilegais faziam em Marcelândia. É uma questão de repudiar a falta de alternativas que a estratégia ambiental deixa no lugar as economias que eles arrasam. Aqueles 13 mil amazônidas deviam ter ficado lá, nas suas casas, em Marcelãndia, vivendo dignamente sem avançarem sobre a floresta. Por que eles foram embora? Para onde elas foram? O que elas fazem agora? Será que vivem de forma "sustentável", ou simplesmente se moveram?
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